Presidente americano afirmou ter pedido revisão do cartão vermelho aplicado a Folarin Balogun e criticou a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus; Fifa nega interferência política na decisão
Ligação a Infantino e críticas ao árbitro brasileiro
Donald Trump admitiu ter telefonado para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir que a entidade reavaliasse o cartão vermelho aplicado ao atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos. O presidente americano também fez críticas ao árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela expulsão do jogador.
“Esse árbitro é um tanto suspeito se você verificar o passado dele. Não quero dizer isso, pois não gosto de criar polêmica, mas é muito suspeito”, disse Trump.
A punição ocorreu na partida contra a Bósnia-Herzegovina, disputada na quarta-feira (1º). Balogun cometeu falta sobre Tarik Muharemovic, em lance posteriormente analisado pelo VAR. Após a revisão, Claus decidiu expulsar o camisa 20 da equipe norte-americana.
“Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta”, afirmou o presidente. Trump também declarou que desconhecia o impacto disciplinar de um cartão vermelho. “Quando descobri, pensei: ‘só pode ser uma brincadeira'”.
Presidente americano questiona regra e diz entender de esporte
O republicano criticou a possibilidade de atletas considerados importantes ficarem fora de jogos decisivos em razão de faltas que classificou como “um pouco mais duras”. Embora tenha afirmado que “entende muito de esporte”, Trump disse não saber que o cartão vermelho acarretava suspensão automática para a partida seguinte.
Segundo a agência Reuters, o presidente falou sobre o episódio nesta segunda-feira (6), durante encontro com jornalistas no Salão Oval, na Casa Branca. Na ocasião, voltou a dizer que não considerou justa a marcação da infração e chamou a atuação do árbitro brasileiro de “horrível”.
Antes disso, Trump já havia comemorado a decisão da Fifa em publicação na rede Truth Social, na qual afirmou que a entidade havia corrigido uma “grande injustiça”.
Fifa nega pressão política e cita independência dos órgãos disciplinares
Apesar da ligação, Gianni Infantino negou que a revisão do caso tenha sido consequência direta do pedido feito por Trump. O dirigente afirmou ter explicado ao presidente americano que os procedimentos disciplinares da Fifa são conduzidos por instâncias independentes.
“Sim, eu discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo com o presidente dos Estados Unidos e, nesse caso, recebi uma ligação do presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, funcionários governamentais, partes interessadas no futebol e executivos empresariais de todo o mundo sobre muitos temas diferentes. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido no devido tempo pelos órgãos competentes. É assim que o sistema da Fifa funciona, e é um princípio que eu sempre defenderei. Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar da Fifa quando elas são emitidas.”
A Fifa anunciou no domingo (5) a suspensão da punição automática imposta a Balogun, liberando o atacante para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica, nesta segunda-feira (6), às 21h, em Seattle. Caso avance, a seleção dos Estados Unidos chegará às quartas de final da Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002.
Suspensão fica condicionada a novo caso semelhante
No comunicado oficial, a entidade afirmou que a suspensão automática de uma partida foi convertida em período probatório.
“Em aplicação do Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, a execução da suspensão automática de uma partida do jogador dos EUA Folarin Balogun fica suspensa por um período probatório de um (1) ano”, informou a nota.
Com a decisão, Balogun, autor de três gols no Mundial, só terá de cumprir a suspensão caso cometa nova infração de natureza e gravidade semelhantes no prazo de 12 meses.
Expulsão ocorreu após revisão do VAR
O lance que motivou a controvérsia aconteceu aos 64 minutos da partida contra a Bósnia-Herzegovina, em confronto decisivo por vaga nas oitavas de final. Inicialmente, Claus foi chamado pelo VAR para rever a jogada. Após analisar as imagens, o árbitro brasileiro aplicou cartão vermelho a Balogun por um pisão no tornozelo de Muharemovic.
A reversão da punição pela Fifa ampliou a repercussão do caso, especialmente depois de Trump confirmar publicamente que havia tratado do tema diretamente com Infantino.

