A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou, nesta sexta-feira (19/06/2026), um levantamento que revela a competitividade do etanol em relação à gasolina em oito estados brasileiros e no Distrito Federal durante o período de 14 a 20 de junho. Dos 27 estados avaliados, nove regiões apresentaram paridade favorável ao biocombustível, com destaque para a Bahia (69,48%) e Santa Catarina (69,53%), onde o etanol mostrou-se até 7% mais vantajoso do que o derivado do petróleo.
Paridade regional revela cenário favorável ao biocombustível
A análise da ANP, compilada pelo AE-Taxas, aponta que a média nacional de paridade etanol/gasolina foi de 62,39% no período. Além dos estados citados, o Distrito Federal (63,95%), Goiás (64,26%), Mato Grosso (57,59%), Mato Grosso do Sul (62,60%), Minas Gerais (65,87%), Paraná (63,95%) e São Paulo (59,60%) também registraram vantagem para o etanol. Segundo executivos do setor, a competitividade pode ser ainda maior em veículos flex, mesmo quando a paridade supera 70%, devido à eficiência energética do biocombustível.
Setor de etanol enfrenta pressões mesmo com queda do petróleo
Apesar da redução nos preços internacionais do petróleo, que pressionou os custos de produção em 2025 e início de 2026, o setor de etanol mantém otimismo com a demanda crescente. “O mercado de biocombustíveis tem demonstrado resiliência, especialmente com a expansão da frota de veículos flexíveis e políticas públicas que incentivam o uso de energias renováveis”, afirmou um diretor da Bioagência, citado em matéria relacionada. A Unica, entidade representativa do setor sucroenergético, estima que o aumento da mistura de etanol na gasolina poderia evitar a importação de 450 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo a dependência externa do país.
Perspectivas para o mercado de combustíveis
O cenário atual sugere uma janela de oportunidade para o etanol, que, além de ser mais competitivo em várias regiões, contribui para a redução das emissões de CO₂. Analistas projetam que, caso a tendência se mantenha, poderá haver um aumento na produção de cana-de-açúcar para atender à demanda por biocombustíveis, com reflexos positivos na geração de empregos e na balança comercial. A continuidade das políticas de incentivo, como o RenovaBio, será crucial para consolidar essa trajetória.

