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Os aumentos nas tarifas aprovados para o ano de 2026 apresentam uma variação significativa, que vai de 3% a 23%
Em decisão publicada na sexta-feira (26/06), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajustes tarifários para 2026 que impactam diretamente o setor agropecuário, cujas operações são altamente dependentes de energia elétrica. Os aumentos, que variam entre 3% e 23% para consumidores rurais em baixa tensão, afetam atividades como irrigação, armazenagem de grãos, avicultura, suinocultura, pecuária leiteira, piscicultura e agroindústrias — setores já fragilizados pela escalada de custos nos últimos anos.
Aneel libera aumentos acima da média em estados-chave do agro
O Paraná, um dos principais polos agrícolas do país, foi o estado mais impactado: a Companhia Paranaense de Energia (Copel) obteve reajuste de 20,51%, superando até mesmo a proposta inicial da Aneel. A decisão provocou reação imediata da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), que classificou o aumento como ‘abusivo’ e anunciou mobilização política para contestar o valor junto ao governo estadual e ao Congresso.
Pressão sobre a cadeia produtiva: custos em alta e competitividade em queda
A elevação dos custos energéticos chega em um momento crítico para o agronegócio, setor que já convive com interrupções no fornecimento, tributação elevada e margens de lucro cada vez mais estreitas. Segundo dados do Sistema FAEP, o aumento na conta de energia pode representar um acréscimo de até 8% nos custos de produção em propriedades rurais que dependem de irrigação ou sistemas automatizados. Produtores de grãos, por exemplo, já projetam redução na rentabilidade em até 15% para o ciclo 2026/2027, caso os reajustes não sejam absorvidos pela cadeia.
Impacto regional: quais estados serão mais afetados?
Os reajustes aprovados pela Aneel não se limitam ao Paraná. Estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais também registram aumentos significativos — entre 12% e 18% — em suas concessionárias estaduais. Na avaliação de especialistas ouvidos pelo ClickNews, a disparidade entre os percentuais reflete não apenas a política tarifária de cada distribuidora, mas também a dependência do setor rural em cada região. Em Mato Grosso, por exemplo, onde a sojicultura e a pecuária extensiva são predominantes, o impacto é mais acentuado devido à escala de consumo energético.
Resposta do setor: mobilização e busca por alternativas
Diante do cenário, entidades representativas do agronegócio já articulam estratégias para mitigar os efeitos dos reajustes. A FAEP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), deve protocolar pedido de revisão tarifária junto à Aneel nos próximos 30 dias, argumentando que os aumentos violam cláusulas de modicidade previstas na legislação. Além disso, cooperativas e associações rurais estudam a adoção de sistemas próprios de geração de energia, como painéis solares e biodigestores, como forma de reduzir a dependência das distribuidoras.
Perspectivas: o que esperar para os próximos meses?
Com os reajustes já em vigor desde 1º de junho de 2026, a expectativa é de que os impactos se tornem mais evidentes a partir de julho, quando começarão a ser contabilizados nos balanços de custo das propriedades rurais. Analistas do mercado agropecuário alertam para um possível efeito cascata: o aumento dos preços da energia pode elevar os custos de insumos e, consequentemente, pressionar os preços finais dos alimentos ao consumidor. Para o presidente da FAEP, a decisão da Aneel ‘coloca em risco a sobrevivência de milhares de pequenos e médios produtores’, que já operam com margens estreitas.

