DayNews
Notícias

Selic em queda controlada: Copom mantém incertezas sobre ciclo de cortes em ano político conturbado

Redacao
19 de junho de 2026 às 13:53
Compartilhar:
Selic em queda controlada: Copom mantém incertezas sobre ciclo de cortes em ano político conturbado

Foto: Reprodução

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual — de 14,50% para 14,25% ao ano — na sexta-feira (19) não sinaliza uma flexibilização agressiva da política monetária, mas sim um movimento cauteloso para aliviar parcialmente o aperto monetário ainda vigente no país. Segundo o professor de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa, a medida não deve ser lida como um estímulo à atividade econômica, mas como um ajuste técnico diante de um cenário global marcado por incertezas.

Comunicação ambígua do Banco Central reflete cautela em ano eleitoral

Na entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Pessoa destacou que o tom da comunicação do Copom revela uma postura de extrema atenção ao desenrolar dos próximos meses, especialmente em um ano repleto de eventos políticos decisivos — como as eleições nos Estados Unidos e no Brasil. “O Banco Central está atento ao cenário de incertezas, que inclui conflitos geopolíticos e a trajetória da inflação em diversos países”, afirmou.

Ainda segundo o economista, a redução de 0,25 ponto percentual não altera significativamente as condições financeiras do país. “Não há aqui um estímulo à economia, mas sim uma diminuição de um excesso de aperto monetário que ainda persiste”, pontuou. A decisão, portanto, não permite concluir se o ciclo de cortes da Selic chegou ao fim ou se haverá novas reduções nos próximos meses.

Risco político e geopolítico pesam sobre a política monetária

O professor da FGV enfatizou que a volatilidade nos mercados financeiros e a falta de clareza sobre a trajetória da inflação — tanto no Brasil quanto no exterior — tornam difícil prever se o Copom prosseguirá com novos cortes. “Com guerras em andamento na Ucrânia, no Oriente Médio e tensões comerciais entre grandes potências, o Banco Central não pode se comprometer com um cronograma fixo de redução de juros”, explicou.

Nesse contexto, a Selic em 14,25% ao ano segue em patamar elevado, refletindo a necessidade de manter a ancoragem das expectativas inflacionárias, mesmo diante de pressões por alívio monetário. A decisão do Copom, portanto, deve ser interpretada como um movimento de calibração, e não como uma flexibilização definitiva da política monetária.