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Operação da PF contra aliado de Flávio Bolsonaro amplia tensão no PL do Rio

Missias
7 de julho de 2026 às 12:07
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Operação da PF contra aliado de Flávio Bolsonaro amplia tensão no PL do Rio

Foto Ilustração

A investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis atinge Márcio Canella, pré-candidato ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro, e reacende pressões internas por mudanças na chapa do partido no estado

Ação policial expõe fragilidade no palanque fluminense

A operação deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (7), para apurar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis, abriu um novo foco de instabilidade na articulação eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Entre os alvos da investigação está o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, filiado ao União Brasil e considerado um dos principais aliados de Flávio no estado. Canella vinha sendo tratado pelo grupo bolsonarista como nome prioritário para disputar uma das vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro.

O episódio reforçou preocupações já existentes dentro do PL. Integrantes da sigla vinham aconselhando Flávio a reconsiderar o apoio ao ex-prefeito, sob o argumento de que uma eventual operação envolvendo Canella poderia comprometer a estratégia eleitoral do partido e fragilizar o palanque bolsonarista no estado.

Rogéria Bolsonaro foi indicada como suplente

A proximidade política entre Flávio e Canella ganhou ainda mais relevância porque o senador havia indicado sua mãe, Rogéria Bolsonaro, para ocupar a primeira suplência na chapa do ex-prefeito de Belford Roxo.

Em maio, após o Tribunal Superior Eleitoral declarar o então governador Cláudio Castro inelegível por abuso de poder nas eleições de 2022, Flávio foi questionado pela CNN sobre a possibilidade de lançar a própria mãe como candidata ao Senado. Na ocasião, ele descartou essa hipótese e afirmou que Rogéria integraria a chapa de Canella.

“Não [está em discussão]. Minha mãe é candidata a primeira suplente do Márcio Canella (União-RJ), que é nosso pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro. Mãe, te amo”, disse o senador, na véspera do Dia das Mães.

Pressão interna já havia aumentado após operações contra Castro

A crise em torno da composição da chapa no Rio não começou com a operação desta terça-feira. Ainda em maio, Cláudio Castro foi alvo de duas ações da Polícia Federal, nos dias 15 e 26, em investigações que apuravam suposto favorecimento ao grupo Refit em um esquema de fraude no setor de combustíveis e possível ligação com o empresário Daniel Vorcaro.

Após as operações, Castro desistiu de disputar o Senado. A saída dele da corrida eleitoral intensificou as discussões dentro do PL sobre a necessidade de reformular a chapa majoritária no Rio.

Segundo apuração da CNN à época, aliados do partido passaram a pressionar Flávio Bolsonaro por uma troca mais ampla dos nomes ao Senado. A avaliação era de que o senador deveria se antecipar a possíveis novos desdobramentos policiais envolvendo aliados e reduzir riscos políticos para sua pré-campanha.

Investigações anteriores já cercavam Canella

Antes mesmo da ação da Polícia Federal, Márcio Canella já era citado em investigações no Rio de Janeiro. O ex-prefeito de Belford Roxo era alvo de apuração do Ministério Público estadual sobre suposta interferência no Rioprevidência, o Fundo Único de Previdência do Estado do Rio de Janeiro.

Também havia suspeitas relacionadas a uma rede de postos de combustíveis que, segundo revelou o portal Metrópoles, seria operada por intermédio de laranjas. Esses elementos já alimentavam, dentro do PL, a preocupação com a exposição política de Canella.

Flávio e Jair Bolsonaro decidirão novo desenho da chapa

Com a desistência de Cláudio Castro, Flávio Bolsonaro ainda não definiu quem ocupará a segunda vaga ao Senado na composição ao lado de Márcio Canella.

Entre os nomes cotados estão o senador Carlos Portinho (PL-RJ) e o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, também chegou a ser mencionado nas conversas internas, mas passou a ser considerado fora da disputa após uma operação da Polícia Federal atingir, na semana passada, pessoas ligadas a ele.

De acordo com a CNN, a decisão sobre a configuração final da chapa no Rio será tomada por Flávio e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Até o momento, porém, não há previsão para o anúncio do nome escolhido.