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O Mundo na Palma da Mão – Por Wilton Emiliano Pinto

Missias
26 de junho de 2026 às 06:00
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O Mundo na Palma da Mão – Por  Wilton Emiliano Pinto
Divulgação / DayNews

Outro dia encontrei um texto que escrevi há alguns anos.

Ao relê-lo, fiquei pensando em como o tempo passa depressa e como nós mudamos sem perceber.

Naquele escrito, eu contava minha resistência ao smartphone.

Achava estranho ver aquele povo sentado em volta da mesma mesa, cada um olhando para uma tela, digitando sem parar.

Para mim, comunicação era conversa falada, era telefonema, era e-mail.

Eu ainda pertencia à geração que esperava notícias chegarem com calma.

Às vezes elas vinham.

Às vezes não.

Mas a vida seguia normalmente.

Hoje, lendo aquelas linhas antigas, não consigo deixar de sorrir.

Naquele tempo eu acreditava que já estava suficientemente atualizado.

Sabia usar meu computador, enviava mensagens por e-mail e recebia algumas respostas.

O que mais poderia precisar?

Acontece que o mundo não costuma pedir licença para mudar.

Ele simplesmente muda.

Enquanto eu esperava meus e-mails chegarem, filhos, netos, amigos e familiares já conversavam em grupos, compartilhavam fotografias, notícias, lembranças e até receitas de bolo em tempo real.

Quando percebi, eu estava ficando para trás.

Não por falta de capacidade.

Por teimosia mesmo.

Aquela velha história do “no meu tempo”.

Aliás, essa frase é perigosa.

Ela costuma aparecer quando começamos a acreditar que o melhor da vida ficou para trás.

E isso não é verdade.

O melhor da vida pode estar em qualquer época, desde que estejamos dispostos a enxergá-lo.

Lembro-me de quando ganhei meu primeiro celular mais moderno.

No começo parecia um bicho complicado.

Cada toque abria uma janela.

Cada janela escondia outras tantas.

Era como entrar numa cidade desconhecida sem mapa e sem guia.

Mas fui aprendendo.

Devagar.

Errando aqui, acertando ali.

Perguntando aos mais novos aquilo que, anos antes, eram eles que perguntavam aos mais velhos.

A vida tem dessas inversões interessantes.

Com o passar dos anos, percebi que a tecnologia não veio para apagar o passado.

Ela apenas acrescentou novas ferramentas ao presente.

As boas conversas continuam importantes.

Os abraços continuam insubstituíveis.

As visitas continuam fazendo bem.

O que mudou foi a velocidade com que as notícias chegam e a facilidade com que podemos diminuir distâncias.

Hoje uma fotografia atravessa continentes em segundos.

Uma mensagem chega antes mesmo da saudade terminar de se formar.

Uma chamada de vídeo permite ver o sorriso de alguém que está muito longe.

Coisas que, quando eu era jovem, pareciam pertencer aos filmes de ficção.

E como se tudo isso ainda não bastasse, agora começamos a conviver com algo que poucos anos atrás também parecia ficção científica:

a Inteligência Artificial.

Ainda estamos apenas nos primeiros capítulos dessa história.

Mas já é possível perceber que ela poderá transformar a maneira como estudamos, trabalhamos, pesquisamos e nos comunicamos.

O que hoje nos parece impressionante talvez seja apenas uma pequena amostra do que veremos nas próximas décadas.

Quando penso em tudo isso, lembro-me de que já vi o homem chegar à Lua, testemunhei a chegada da televisão, dos computadores, da internet e dos telefones que carregam o mundo na palma da mão.

Agora vejo nascer mais uma revolução.

E, sinceramente, não faço ideia de onde ela vai nos levar.

Mas talvez a maior mudança não tenha acontecido nos aparelhos.

Talvez tenha acontecido dentro de nós.

Aprendi que envelhecer não significa parar de aprender.

Ao contrário.

Quanto mais a vida avança, mais ela nos oferece oportunidades para descobrir coisas novas.

Nem sempre é fácil.

Às vezes dá preguiça.

Às vezes dá vontade de deixar tudo como está.

Mas o universo inteiro está em movimento.

Os rios correm.

As árvores crescem.

As estações passam.

Os netos se transformam em adultos.

Os adultos se tornam avós.

E nós seguimos aprendendo enquanto caminhamos.

Hoje continuo gostando das minhas lembranças.

E são muitas.

Algumas tão bonitas que parecem ter acontecido ontem.

Outras tão distantes que parecem pertencer a outra vida.

Mas aprendi que recordar é uma coisa, ficar estacionado nelas é outra bem diferente.

As lembranças nos ajudam a compreender de onde viemos.

Mas é o presente que nos mostra para onde estamos indo.

Por isso continuo caminhando.

Mais devagar do que antes, é verdade.

Porém com a mesma curiosidade de quem ainda acredita que sempre existe alguma coisa nova para aprender.

E talvez seja justamente isso que mantém a juventude acesa dentro da gente.

Não a idade do corpo.

Mas a disposição de continuar seguindo em frente.

Wilton, guardião das lembranças, aprendiz permanente do tempo.