Na última quarta-feira, 10 de junho de 2026, o governo ucraniano sob a liderança de Volodymyr Zelensky manteve, por meio de decreto presidencial, a reabilitação simbólica da Unidade de Exército Ucraniana (UPA) — grupo paramilitar ativo durante a Segunda Guerra Mundial. A medida, anunciada com o argumento de ‘restaurar tradições históricas do exército nacional’, tem gerado reações contundentes, sobretudo em Varsóvia, que a considera uma afronta à memória de vítimas polonesas.
Símbolos da UPA no front: entre identidade e controvérsia
A bandeira vermelha e preta da UPA tornou-se um emblema recorrente nas frentes de batalha ucranianas, não apenas como referência à resistência histórica, mas como símbolo de unidade em tempos de guerra. Zelensky, em pronunciamento oficial, afirmou que a decisão busca ‘honrar o passado heróico’ do país, ignorando, contudo, as implicações diplomáticas. Especialistas alertam que a insistência nessa narrativa pode minar o apoio ocidental, especialmente da Polônia, país-chave na transferência de armamentos e treinamento militar.
Polônia exige revisão: o peso das relações bilaterais
A chancelaria polonesa já havia expressado ‘profunda preocupação’ em declarações formais, classificando a decisão como ‘uma distorção da história’. O presidente polonês, Andrzej Duda, chegou a afirmar que Varsóvia não pode fechar os olhos para ‘glorificação de organizações responsáveis por crimes contra civis poloneses’. A tensão bilateral, que já havia esfriado após a invasão russa em 2022, agora ameaça reaquecer, inclusive no âmbito da OTAN, onde ambos os países são aliados estratégicos.
Consequências geopolíticas: riscos para a Ucrânia no pós-guerra
Analistas internacionais avaliam que a postura de Zelensky pode prejudicar a imagem da Ucrânia como vítima da agressão russa, especialmente no Ocidente. A Polônia, que já é um dos maiores fornecedores de ajuda militar, poderia revisar seus compromissos, enquanto outros países da Europa Central — como Eslováquia e Hungria — já manifestaram desconforto com o tema. O caso também reabre debates sobre a instrumentalização da história em conflitos contemporâneos, um fenômeno crescente desde 2022.




