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Polícia

Polícia Civil mira quadrilha interestadual que furtava caixas eletrônicos e lavava dinheiro em Mato Grosso

Redação
5 de novembro de 2026 às 07:53
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Polícia Civil mira quadrilha interestadual que furtava caixas eletrônicos e lavava dinheiro em Mato Grosso

©PJC-MT

Operação Círculo Vicioso cumpre 74 ordens judiciais em quatro cidades de três estados; investigação revela seis ataques a caixas eletrônicos e esquema para remover tinta de segurança das cédulas e devolver dinheiro ilícito ao sistema bancário

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Círculo Vicioso, uma ofensiva contra uma organização criminosa suspeita de atuar em furtos a caixas eletrônicos e na lavagem dos valores obtidos ilegalmente. A investigação identificou uma estrutura com ramificações em diferentes estados, responsável por ataques a equipamentos bancários instalados em estabelecimentos comerciais e instituições financeiras da região metropolitana de Cuiabá.

Ao todo, a Justiça autorizou 74 medidas, incluindo dez mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão domiciliar, 18 autorizações de acesso a dados armazenados em dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 determinações de bloqueio de recursos financeiros. As medidas foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias, no Polo Cuiabá.

A operação ocorre simultaneamente em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão. A mobilização envolve equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio das polícias civis catarinense e maranhense e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Furto de R$ 105 mil revelou método sofisticado de atuação

O ponto de partida das investigações foi um ataque registrado em 21 de janeiro deste ano, durante a madrugada, em um supermercado localizado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande.

Na ocasião, criminosos utilizaram uma lança térmica, equipamento industrial capaz de produzir temperaturas extremamente elevadas, para romper a estrutura metálica do cofre de um caixa eletrônico. Embora o mecanismo de proteção tenha sido acionado e liberado tinta sobre as notas armazenadas, os envolvidos conseguiram levar aproximadamente R$ 105 mil.

A análise do episódio permitiu aos investigadores estabelecer conexões com outras ocorrências registradas na região. Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, pelo menos seis caixas eletrônicos foram alvos de ações com características semelhantes em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo a apuração policial, os suspeitos adotavam procedimentos específicos para reduzir o risco de identificação durante os ataques. Além de romper paredes para alcançar os equipamentos, utilizavam lonas para impedir que a luminosidade intensa produzida pelas ferramentas de corte chamasse a atenção de pessoas nas proximidades.

A repetição dessas técnicas contribuiu para que os investigadores identificassem um padrão operacional e avançassem na apuração das conexões entre os envolvidos.

Organização dividia tarefas entre furtos, tecnologia e lavagem de dinheiro

A investigação revelou indícios de uma estrutura criminosa organizada em diferentes núcleos, cada um com atribuições específicas. Enquanto parte dos integrantes participava diretamente dos arrombamentos, outros seriam responsáveis pelo suporte tecnológico, pelo tratamento das cédulas atingidas pelos dispositivos de segurança e pela movimentação dos recursos obtidos.

Um dos aspectos centrais do esquema era a tentativa de recuperar o dinheiro marcado pela tinta liberada durante os ataques. Conforme a Polícia Civil, integrantes do grupo empregavam produtos químicos e outros materiais para remover as manchas e permitir que as notas voltassem a circular.

Depois desse procedimento, os valores eram introduzidos no sistema bancário por meio de depósitos realizados em pequenas quantias e distribuídos entre diferentes agências e contas.

A prática, conhecida internacionalmente como smurfing, consiste no fracionamento de operações financeiras para dificultar a identificação da procedência dos recursos e reduzir a possibilidade de detecção de movimentações suspeitas.

Os investigadores também identificaram a participação de terceiros que disponibilizavam contas bancárias para receber os depósitos. Posteriormente, o dinheiro era redistribuído entre integrantes do grupo, em uma dinâmica destinada a dificultar o rastreamento das quantias provenientes dos furtos.

O cruzamento de registros financeiros, imagens de câmeras de segurança e outros elementos reunidos durante a investigação permitiu relacionar suspeitos às diferentes etapas da atividade criminosa.

Suspeitos viajavam de outros estados para executar ataques em Mato Grosso

Outro ponto identificado pela Polícia Civil foi a mobilidade dos integrantes da organização. Parte dos investigados residia fora de Mato Grosso, especialmente em Santa Catarina, e se deslocava até o estado para participar das ações contra os caixas eletrônicos.

A apuração também encontrou elementos que apontam possíveis vínculos dos suspeitos com crimes anteriores praticados no Rio de Janeiro e em Alagoas, circunstância que reforçou a necessidade de atuação conjunta entre forças policiais de diferentes unidades da Federação.

A participação de investigados residentes em outros estados levou à ampliação das diligências e ao cumprimento de medidas judiciais fora do território mato-grossense.

Além da identificação e responsabilização dos envolvidos, a ofensiva busca comprometer a capacidade financeira da organização e interromper a circulação dos recursos associados às atividades investigadas.

Justiça determina bloqueio de quase R$ 240 mil

Entre as medidas patrimoniais autorizadas está o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite de R$ 239.980,52.

O montante corresponde aos prejuízos identificados em quatro dos seis furtos apurados pela Polícia Civil. A quantia poderá ser revista conforme o avanço das análises bancárias e a identificação de novas movimentações relacionadas ao esquema.

A investigação financeira também deverá contribuir para esclarecer a destinação dos valores, a participação individual dos suspeitos e a possível existência de outros beneficiários.

A estratégia das autoridades é atingir não apenas os responsáveis pela execução dos furtos, mas também os mecanismos utilizados para movimentar e dissimular os recursos obtidos ilegalmente.

Operação recebeu nome em referência ao ciclo de crimes e ocultação de recursos

A denominação Círculo Vicioso foi escolhida para representar o funcionamento recorrente do esquema investigado.

Segundo a Polícia Civil, a dinâmica começava com a subtração do dinheiro dos caixas eletrônicos, prosseguia com a remoção das marcas de segurança das cédulas e terminava com sua reinserção na rede bancária, mediante operações destinadas a ocultar a origem ilícita dos valores.

A existência de diferentes núcleos operacionais permitia a repetição das atividades, formando uma estrutura organizada voltada à obtenção e à circulação de recursos provenientes dos furtos.

Ação integra rede nacional de combate ao crime organizado

A Operação Círculo Vicioso integra as iniciativas da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), mecanismo de cooperação entre órgãos de investigação e persecução penal de todo o país.

Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por intermédio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi), vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a rede reúne representantes das unidades especializadas e membros do Ministério Público dos 26 estados e do Distrito Federal.

A iniciativa busca fortalecer o compartilhamento de informações, a produção de inteligência e a articulação de operações conjuntas contra organizações criminosas que atuam além das fronteiras estaduais.

No caso investigado em Mato Grosso, a integração entre as instituições permitiu ampliar o alcance territorial das diligências e direcionar as medidas tanto aos suspeitos de participação nos ataques quanto à estrutura financeira utilizada para movimentar os valores subtraídos.

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