Rogério Marinho e Tereza Cristina disputam a presidência da Casa, e o impeachment de ministros do STF é a principal bandeira da direita
Oposição reage com ceticismo à proposta do presidente do Senado
A oposição deu de ombros à iniciativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de propor indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca de votos para continuar no comando da Casa. Alguns senadores admitem, nos bastidores, que esse primeiro gesto poderia levar a uma reaproximação, mas a maioria defende que não há chance de apoiar a reeleição do amapaense.
Direita tem dois candidatos e mira os ministros do Supremo
A oposição no Senado lançará dois nomes, Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), e tem como principal pauta o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A presidência nas mãos da direita permitiria abrir os processos de afastamento e serviria de flanco contra o governo Lula (PT).
Parlamentares cobram o cumprimento de promessa anterior
Os integrantes da oposição também desconfiam da oferta e cobram que Alcolumbre efetive uma promessa anterior: a redução das penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, aprovada pelo Congresso neste ano, mas suspensa por decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF, aliado de Alcolumbre.
Jordy diz que o que está em jogo é maior que a anistia
O deputado e senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que “está em jogo algo muito maior do que a anistia ou indulto a Bolsonaro”. “É a democracia do país. O Senado precisa resgatar a harmonia e a independência entre os Poderes”, disse. ”Alcolumbre não tem palavra nem credibilidade. Nossa memória não é curta e lembramos da anistia que virou dosimetria e virou gaveta”.
Seif lembra que o apoio de 2024 dependia da anistia
Para o senador Jorge Seif (PL-SC), a proposta não fará a oposição votar em Alcolumbre. “Óbvio que não. Esse já era o tratado lá atrás. Apoiamos ele em 2024 com essa promessa [de anistia]”, disse.
Votos da ala minoritária dependem de benefício antes da eleição
Nos bastidores, senadores de direita disseram à Folha que a chance de Alcolumbre conquistar votos de uma ala minoritária dos bolsonaristas é pautar algum benefício a Bolsonaro antes da eleição para a presidência do Senado. Aliados do atual presidente da Casa consideram essa possibilidade remota.
Bancada do PL desconfia de promessas do senador
O entendimento geral da bancada do PL é o de que não é possível confiar em promessas de Alcolumbre. Ele foi eleito presidente em 2025 com o apoio da oposição e do presidente Lula, mas, na avaliação dos bolsonaristas, ignorou as demandas da direita e atendeu majoritariamente ao governo. A bancada que tomará posse em fevereiro de 2027 é ainda mais resistente ao atual comandante da Casa.
Alcolumbre quer votos da direita e o fim da pressão por impeachment
Como mostrou a Folha, Alcolumbre busca uma forma de conquistar votos na direita para se reeleger, mas estancando a pressão pelo impeachment de ministros do STF. Ao conseguir aprovar a anistia de Bolsonaro e de outros condenados pela trama golpista, ele acredita que as cobranças pelo afastamento de Alexandre de Moraes cessariam.
Presidente do Senado pretende conversar com Lula
Alcolumbre disse a aliados que vai conversar com Lula para defender um indulto humanitário a Bolsonaro, preso desde agosto de 2025 por participação em uma tentativa de golpe de Estado. Se o petista não aceitar, defenderá a aprovação de uma anistia pelo Congresso.
Ideia partiu de senador do PP, que fala em pacificação
O senador Laércio Oliveira (PP-SE) levou a ideia a Alcolumbre na segunda-feira (26), dia seguinte à derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência. Segundo ele, a proposta é desvinculada da eleição interna, e a intenção não é trocar o indulto ou a anistia por votos, mas distensionar o clima político no país. “Ele está defendendo uma pacificação entre os Poderes”, disse.
Lei que reduz penas do 8 de Janeiro está suspensa desde maio
A oposição cobrou de Alcolumbre a votação do perdão na atual legislatura, mas ele articulou uma alternativa mais branda: a redução das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023, aprovada no fim do ano passado. Na ocasião, a discussão ocorreu em paralelo ao julgamento de Bolsonaro e de outros líderes da trama golpista pelo STF. A lei está suspensa desde maio, por decisão de Moraes, até que o plenário do Supremo decida sobre sua legalidade.
Acordo previa compromisso de abandonar o impeachment
Em troca da anistia ou do indulto a Bolsonaro, Alcolumbre quer o compromisso da direita de que não pressionará mais pelo impeachment dos ministros do STF e de que os parlamentares se concentrarão em uma reforma mais estrutural do Poder Judiciário.
Aliados veem impeachment mais improvável após vitória de Lula
Na percepção de aliados do presidente do Senado, o impeachment ficou menos provável com a vitória de Lula, o que daria à oposição mais motivos para aceitar um acordo. Ao menos 49 dos 81 senadores da nova legislatura defendem o afastamento, mas muitos com ressalvas. Para aprová-lo, são necessários 54 votos, o equivalente a dois terços da Casa.
Governistas duvidam que Alcolumbre indulte Bolsonaro
Na base governista, senadores não acreditam que Alcolumbre planeje de fato indultar Bolsonaro. O grupo entende que, principalmente após a saída de Flávio Bolsonaro do país, a direita ficou sem liderança natural, o que facilitaria deserções para apoiar o atual presidente do Senado.
Votação secreta alimenta a aposta de Alcolumbre
Alcolumbre confia no voto secreto para atrair apoios do PL. O partido tem repetido que não é difícil mapear traições no Senado, já que são apenas 81 integrantes. Para eleger o presidente da Casa, são necessários 41 votos. A legenda de Flávio terá 29 cadeiras a partir de 2027, além de contar com aliados em outras siglas.
PL lançará Marinho na quarta-feira; Tereza Cristina também quer concorrer
A bancada do PL se reunirá na próxima quarta-feira (4) e lançará Rogério Marinho à presidência do Senado. A senadora Tereza Cristina também deseja concorrer. Ambos dizem que, até a eleição, unirão forças para derrotar Alcolumbre.
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