Ação cumpriu mandados no Maranhão e em Mato Grosso; investigação aponta que grupo recorria a chaves Pix e à credibilidade da entidade humanitária para enganar vítimas em diferentes estados
A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta quinta-feira (13), mandados judiciais contra suspeitos de integrar um esquema de fraudes eletrônicas que utilizava indevidamente o nome do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para solicitar falsas doações por meio de transferências via Pix.
As diligências fazem parte da Operação Orfeu, coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso. A investigação busca desarticular um grupo suspeito de explorar causas humanitárias para obter recursos de vítimas em diferentes regiões do país.
Mandados são cumpridos em Mato Grosso e no Maranhão
A operação teve como alvos três investigados. Dois deles foram localizados em Imperatriz, no Maranhão, enquanto o terceiro foi identificado em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso.
Foram expedidas ordens de prisão e de busca e apreensão no âmbito da investigação. Segundo a Polícia Civil, o esquema teria alcance nacional, com registros de vítimas no Distrito Federal e em outros estados.
Os investigadores apuram que os suspeitos se apresentavam como responsáveis pela arrecadação de recursos destinados a iniciativas de caráter humanitário, utilizando a reputação do Unicef para conferir credibilidade às solicitações.
Credibilidade de instituição humanitária teria sido usada para enganar vítimas
De acordo com a apuração policial, as abordagens levavam os destinatários a acreditar que os valores enviados seriam direcionados a projetos voltados à proteção de crianças em situação de vulnerabilidade.
Os recursos transferidos, no entanto, não teriam relação com campanhas oficiais da entidade. Conforme a investigação, o dinheiro era destinado aos integrantes do próprio grupo suspeito de operar o esquema.
A estratégia, segundo a Polícia Civil, consistia em associar os pedidos de doação a uma instituição internacionalmente reconhecida, reduzindo a desconfiança das vítimas e aumentando as chances de obtenção dos valores.
Investigação aponta impacto além das perdas financeiras
Para os investigadores, o esquema não provoca apenas prejuízos econômicos às pessoas enganadas. A utilização fraudulenta de uma causa humanitária também pode comprometer a confiança da população em campanhas beneficentes legítimas.
A preocupação das autoridades é que episódios desse tipo ampliem a desconfiança em relação a futuras arrecadações e acabem afetando iniciativas efetivamente destinadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Suspeitos podem responder por diferentes crimes
Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, por estelionato eletrônico, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.
De acordo com a Polícia Civil, as penas previstas para os crimes, quando somadas, podem chegar a 21 anos de reclusão, além do pagamento de multa. Outros delitos ainda poderão ser atribuídos aos suspeitos caso novas condutas criminosas sejam identificadas durante a investigação.
Nome da operação remete ao poder de persuasão
A denominação Operação Orfeu faz referência ao personagem da mitologia grega conhecido por sua capacidade de persuadir e encantar.
A escolha do nome estabelece um paralelo com a forma de atuação atribuída aos investigados, que, segundo a polícia, teriam se valido da credibilidade de uma instituição humanitária para conquistar a confiança das vítimas e induzi-las a realizar transferências de dinheiro.


