Neurobiologia da empatia interespécies
Em estudo publicado na iScience no último dia 12 de agosto, pesquisadores da Universidade de Viena apresentaram evidências de que cães domésticos (Canis lupus familiaris) possuem capacidade cognitiva para identificar e processar emoções humanas básicas. A pesquisa, conduzida com 11 cães treinados para permanecer imóveis durante exames de ressonância magnética funcional (fMRI), revelou atividade neural específica em regiões do cérebro canino correspondentes ao sistema límbico humano, notadamente no córtex cingulado anterior.
Metodologia inovadora e resultados inesperados
A equipe liderada pelo Dr. Ludwig Huber utilizou fotografias de expressões faciais humanas padronizadas (alegria, raiva, tristeza e medo) apresentadas em sequência aleatória aos animais. Os dados obtidos demonstraram que os cães apresentam resposta neural significativamente maior para expressões de alegria — especialmente sorrisos — quando comparadas a outras emoções. Essa seletividade sugere um mecanismo evolutivo adaptativo, possivelmente selecionado pela coevolução com humanos ao longo de milênios.
Implicações para a relação homem-cão
A descoberta corrobora hipóteses anteriores sobre a sincronização emocional entre espécies, mas introduz novo paradigma ao demonstrar que a comunicação não é apenas comportamental, mas também neurobiológica. Especialistas sugerem que esses achados podem ter aplicações práticas em treinamento de cães de serviço, terapia assistida por animais e até mesmo no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina para comunicação com espécies não-humanas.

