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Justiça

Fachin cancela segunda sessão seguida do plenário do STF em meio a crise institucional

João Oliveira
10 de setembro de 2026 às 19:40
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Fachin cancela segunda sessão seguida do plenário do STF em meio a crise institucional

© Gustavo Moreno/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou nesta quinta-feira (10) a segunda sessão consecutiva do plenário, em um novo episódio da crise que atravessa a corte. A decisão impediu a realização de outra reunião ordinária dos ministros e confirma que a semana terminará sem sessões presenciais no órgão máximo do Judiciário brasileiro.

Suspensão das sessões

A suspensão ocorre depois de a Segunda Turma ter cancelado sua sessão na terça-feira (8). Com os dois adiamentos, a pauta administrativa e judicial prevista para os colegiados ficou sem deliberação nesta semana. A movimentação foi interpretada no ambiente do tribunal como uma medida para evitar que encontros marcados anteriormente fossem transformados em espaço de discussão antecipada sobre o relatório da Polícia Federal que envolve Alexandre de Moraes.

Segundo pessoas próximas à Presidência da corte, Fachin recebeu a recomendação de não conduzir a reunião pública e presencial dos ministros na data prevista. A orientação estaria relacionada à possibilidade de o colegiado discutir, antes do momento definido pela Presidência, documentos e repercussões do trabalho investigativo. O presidente, contudo, não anunciou a suspensão das atividades do tribunal de forma ampla, mas optou por concentrar o exame do tema em uma convocação específica.

Relatório da PF no centro da crise

O centro da controvérsia é um relatório da Polícia Federal que identifica Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master. O documento também registra diálogos entre o ministro e Vorcaro. A existência do relatório não significa, por si só, conclusão judicial sobre a conduta de qualquer autoridade; sua validade, alcance e eventuais desdobramentos serão avaliados pelos ministros em ambiente institucional.

Fachin convocou uma sessão extraordinária para a próxima terça-feira (15), quando o plenário deverá decidir o destino do documento. Entre os encaminhamentos possíveis estão a abertura de uma investigação específica contra Moraes ou a anulação do relatório. A definição exigirá análise sobre a legalidade da produção do material, a competência dos órgãos envolvidos e os efeitos processuais das informações apresentadas, temas que podem gerar divergências entre os ministros.

Expectativa para a próxima terça-feira

O adiamento das duas sessões reforça a percepção de instabilidade interna e aumenta a expectativa sobre o encontro do dia 15. Até lá, a Presidência do STF busca preservar o rito institucional e evitar que a disputa em torno do relatório seja resolvida em discussões paralelas ou em pautas não convocadas para esse fim. O caso ganhou contornos políticos e jurídicos porque envolve um dos nomes de maior projeção no tribunal e questionamentos sobre os limites da atuação de autoridades no curso de investigações.

A ausência de sessões ordinárias também afeta a previsibilidade da pauta do Supremo, que costuma organizar votos, sustentações e decisões em calendários previamente divulgados. A convocação extraordinária permite delimitar o objeto da discussão, mas não elimina a necessidade de enfrentar eventuais questionamentos sobre transparência, legalidade e separação de responsabilidades dentro da corte. A próxima reunião será acompanhada como um teste à capacidade do plenário de processar o impasse sem comprometer a rotina institucional.

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