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El Niño pode agravar alergias e doenças respiratórias

João Oliveira
12 de agosto de 2026 às 09:11
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El Niño pode agravar alergias e doenças respiratórias

Alergias de outono. Foto: Freepik

Calor, baixa umidade, poluição e chuvas extremas aumentam os riscos para pessoas com asma, rinite e outras condições

Impactos na saúde

As mudanças provocadas pelo El Niño — como elevação das temperaturas, alterações na umidade, estiagens e chuvas intensas — podem agravar problemas respiratórios e cardiovasculares. Asma, rinite alérgica, infecções respiratórias e DPOC estão entre as condições que exigem mais atenção durante períodos de instabilidade climática.

A presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Fátima Rodrigues Fernandes, explica que a poluição atmosférica e as variações extremas de temperatura fragilizam as vias aéreas.

“O El Niño não é o culpado pelas doenças ou pelo agravamento delas. São as alterações climáticas que levam a uma exacerbação do fenômeno, o que causa as complicações.”

Ondas de calor e ar seco também podem favorecer desidratação, insolação, exaustão física e descompensação de doenças cardíacas. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis.

Cuidados dentro de casa

Para reduzir a presença de poeira, ácaros e mofo, especialistas recomendam:

  • Aspirar colchões, travesseiros, sofás e almofadas, preferencialmente com filtro HEPA.

  • Trocar a roupa de cama ao menos uma vez por semana.

  • Evitar bichos de pelúcia e objetos que acumulem poeira.

  • Limpar superfícies com pano úmido, sem levantar partículas.

  • Manter os ambientes ventilados.

  • Evitar fumaça de cigarro, gasolina e produtos de limpeza com odores fortes.

Em períodos de alta poluição ou queimadas, pode ser necessário manter janelas fechadas e reduzir a exposição ao ar livre. A hidratação das mucosas com soro fisiológico e o consumo regular de água também ajudam a aliviar os efeitos do tempo seco.

Pólen e umidade

O pólen representa um desafio diferente porque é um alérgeno externo e não pode ser eliminado apenas com a limpeza da casa. As alterações climáticas podem modificar o ciclo das plantas e prolongar os períodos de polinização.

Pessoas sensíveis devem manter portas e janelas fechadas durante os períodos de maior concentração de pólen e vedar possíveis entradas de partículas.

Ar-condicionado, umidificadores e desumidificadores precisam passar por limpeza e manutenção frequentes. A umidade ideal deve ficar entre 40% e 60%: o excesso de secura irrita as mucosas, enquanto a umidade elevada favorece o crescimento de fungos.

Riscos da automedicação

Descongestionantes nasais proporcionam alívio rápido, mas podem causar efeito rebote e levar à rinite medicamentosa quando usados por tempo prolongado. O uso contínuo pode piorar a congestão e provocar complicações cardiovasculares.

Em crianças pequenas, a automedicação pode causar efeitos neurológicos e arritmias. Em idosos, os descongestionantes também podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares.

O tratamento da rinite alérgica deve ser definido por um médico. Sprays nasais anti-inflamatórios, geralmente à base de corticoide, podem ser indicados para controlar a inflamação da mucosa.

Alergia ou infecção?

Febre costuma estar associada a infecções, enquanto alergias frequentemente provocam espirros, coriza, coceira, chiado e irritação nos olhos. Ainda assim, uma pessoa alérgica pode apresentar febre quando também desenvolve uma infecção.

A repetição dos sintomas é um dos principais sinais de alergia. Na rinite, são comuns espirros, coriza e coceira no nariz e nos olhos. Na asma, podem surgir chiado e falta de ar. Pessoas com alergias também podem ser mais suscetíveis a infecções porque permanecem com as mucosas inflamadas.

Olhos e pele também são afetados

O tempo seco e o calor podem causar irritação, vermelhidão, coceira e dificuldade para enxergar. Cerca de 80% das pessoas com rinite alérgica também apresentam conjuntivite, segundo as informações reunidas no texto.

Colírios não devem ser usados de maneira aleatória. Lágrimas artificiais e lubrificantes podem ajudar no ressecamento, mas a escolha do produto depende da causa dos sintomas.

Entre as alergias de pele mais frequentes estão dermatite atópica, urticária e dermatite de contato. Elas podem causar coceira intensa, vermelhidão, descamação e feridas.

Em pessoas com dermatite atópica, o ato repetido de esfregar os olhos pode favorecer o ceratocone, alteração que afina e deforma a córnea. Em situações graves, pode haver necessidade de transplante para preservar a visão.

Eventos extremos exigem preparação

Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas devem acompanhar as previsões meteorológicas para se preparar para ondas de calor, frentes frias, estiagens e dias de alta poluição. Em situações críticas, a recomendação é evitar atividades ao ar livre e ambientes com concentração elevada de poluentes.

Além de manter os tratamentos prescritos, é importante beber água, hidratar a pele e as mucosas, manter os ambientes limpos e procurar atendimento diante de falta de ar, chiado intenso, confusão mental, tontura ou dor no peito.

“As pessoas descontinuaram seus tratamentos, ficaram sem acesso à saúde, ao controle de doenças, à compra de medicamentos e consultas. E agora parece que já temos algum grau disso também. São fatores de agravo, além das condições da casa e do ambiente externo”, explica Fátima Rodrigues.

A especialista reforça que as alterações climáticas não atuam necessariamente como causa direta das doenças, mas podem aumentar a frequência e a intensidade das crises.

“as alterações climáticas, exacerbadas pelo El Niño, criam um ambiente propício à exacerbação de doenças como asma, rinite alérgica e infecções virais, especialmente em indivíduos com histórico de sensibilidade”.

Por isso, o enfrentamento dos efeitos do El Niño exige ações conjuntas nas áreas de saúde, meio ambiente e planejamento urbano, além de políticas voltadas à proteção dos grupos mais vulneráveis.