Deputado participou ativamente das discussões sobre o futuro do hospital em Cuiabá e defendeu a manutenção de serviços considerados essenciais, como oncologia e nefrologia
A incerteza sobre o futuro da Santa Casa de Cuiabá mobilizou autoridades, profissionais da saúde e representantes do Legislativo ao longo de 2025. Entre os parlamentares que participaram das discussões estava o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Dr. João (MDB), que defendia a preservação dos atendimentos realizados na unidade, especialmente nas áreas de alta complexidade.
Naquele período, a possibilidade de mudanças na estrutura hospitalar provocava preocupação em relação ao destino dos pacientes que dependiam de tratamentos contínuos. Em maio de 2025, a Assembleia promoveu audiência pública para discutir alternativas para a Santa Casa e modelos que permitissem a continuidade de seu funcionamento.
Para Dr. João, qualquer decisão sobre o hospital deveria considerar, antes de tudo, a manutenção da assistência prestada aos pacientes.
“Quando começou essa discussão, nossa preocupação era com as pessoas. Não dava para simplesmente fechar uma porta onde centenas de pacientes faziam tratamento e dizer que depois encontraríamos uma solução. Era preciso garantir continuidade, principalmente para quem enfrentava câncer, hemodiálise e outros tratamentos de alta complexidade”, afirmou Dr. João.
Impasse sobre o hospital mobilizou discussões em 2025
Ao longo daquele ano, o futuro da Santa Casa permaneceu no centro das discussões sobre a reorganização da rede estadual de saúde em Cuiabá. Dr. João defendeu que uma eventual transição fosse acompanhada de medidas capazes de impedir a interrupção dos serviços de oncologia, radioterapia, quimioterapia e nefrologia.
Em agosto de 2025, após conversas com integrantes do Governo do Estado, o parlamentar afirmou publicamente que a unidade permaneceria em funcionamento.
A definição sobre o imóvel, porém, só ocorreu no ano seguinte.
Em 2026, o Governo de Mato Grosso formalizou uma proposta de R$ 30 milhões pela estrutura. A oferta recebeu o aval da comissão de credores e foi considerada apta pela Justiça do Trabalho. Em 3 de junho, o Estado concluiu a aquisição após transferir o valor à Justiça do Trabalho, responsável pela destinação dos recursos aos credores da antiga instituição filantrópica.
A compra também abriu caminho para um novo planejamento assistencial. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, estão previstas a manutenção e a ampliação dos serviços de oncologia e nefrologia, além da implantação gradual de novas modalidades de atendimento.
“Hoje vemos que valeu a pena insistir. A Santa Casa permaneceu aberta, o Estado assumiu definitivamente a estrutura e os serviços essenciais foram preservados. Essa sempre foi nossa defesa: não deixar Cuiabá perder um hospital com tanta história e importância para a saúde pública”, destacou.
Da Santa Casa à expressão “de chapa e cruz”
Além da discussão sobre os serviços hospitalares, Dr. João relaciona a Santa Casa a uma expressão tradicionalmente associada à identidade cuiabana: “de chapa e cruz”.
Segundo a explicação apresentada pelo deputado, a expressão teria surgido a partir de um antigo método de identificação utilizado na maternidade da instituição.
“A expressão cuiabana ‘de chapa e cruz’ é diferente do que muitos pensam. Na verdade, ela é feita para pessoas que nasceram na Santa Casa de Cuiabá. Quando as crianças nasciam, era colocada uma placa metálica, dai vem o de chapa. Quem nascia na Santa Casa, tinha na placa também uma cruz, já que a unidade era cuidada por freiras”, explicou Dr. João.
Para o parlamentar, a ligação construída ao longo de gerações ajuda a explicar o significado histórico da instituição para a capital.
“A Santa Casa faz parte da memória de Cuiabá. Muitas famílias têm alguma história ligada àquele hospital. Quando falamos em preservar a Santa Casa, estamos falando de saúde, mas também de uma parte importante da história da nossa Capital”, afirmou.
Hospital passou ao controle definitivo do Estado
A antiga Santa Casa de Misericórdia interrompeu suas atividades como instituição filantrópica em 2019, em meio a uma grave crise financeira e ao acúmulo de dívidas trabalhistas.
No mesmo ano, o Governo de Mato Grosso requisitou administrativamente o imóvel e passou a operar no local o Hospital Estadual Santa Casa, mantendo a prestação de serviços de saúde.
Sete anos depois, a aquisição definitiva encerrou a situação provisória sobre o imóvel e consolidou a permanência da estrutura sob responsabilidade estadual. O plano apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde prevê, além dos serviços já existentes, cuidados paliativos, central de diagnóstico, hospital-dia, cirurgias gerais, ambulatórios especializados, atendimento domiciliar e Serviço de Verificação de Óbito.




