Com 16,3 milhões de eleitores, Minas Gerais é estratégico para o segundo turno; candidatos planejam viagens ao estado antes da votação de 25 de outubro
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, ocupa posição central na disputa de segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois candidatos planejam viajar ao estado nas próximas semanas para ampliar alianças e conquistar votos na reta final da campanha.
No primeiro turno, Flávio obteve 48,24% dos votos válidos em Minas, contra 43,33% de Lula. O senador recebeu 5.777.548 votos, enquanto o presidente teve 5.188.936 — uma diferença de 588.612 votos.

ㅤLuce Costa/Arte R7
O resultado amplia o desafio da campanha petista em um estado que, desde a redemocratização, tem acompanhado o vencedor da eleição presidencial. Em todas as disputas para o Planalto desde 1989, o candidato eleito também venceu em Minas Gerais.
Flávio venceu em importantes colégios eleitorais, entre eles Belo Horizonte, Contagem, Uberlândia e Betim. Lula manteve apoio em redutos como Juiz de Fora e municípios do norte mineiro, mas não conseguiu superar a vantagem do adversário no estado.
Estratégias para o segundo turno
Uma das apostas do PT é reforçar a campanha nas regiões onde tradicionalmente obtém mais apoio. Depois do resultado mineiro no primeiro turno, a legenda decidiu enviar Ana Elisa, de 21 anos e deputada federal mais votada do estado, para percorrer municípios mineiros.
Segundo apuração do R7 Planalto, o partido ficou decepcionado com o desempenho geral na primeira etapa da eleição. A atuação de Ana Elisa terá foco sobretudo na região dos vales, onde o PT costuma registrar bons resultados. A campanha pretende intensificar a mobilização local e dialogar com eleitores considerados importantes para a tentativa de recuperação de Lula.
Ana Elisa também foi chamada para colaborar com a estratégia digital da campanha.
Flávio, por sua vez, trabalha para ampliar sua articulação em Minas e reunir o apoio de partidos tradicionais. O senador conta com Republicanos, Novo, União Brasil, PP e Podemos, além de lideranças como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Michel Temer. O escritor Augusto Cury (Avante) também declarou apoio ao candidato.
Abstenção e votos em disputa
Minas Gerais registrou 3.735.098 eleitores ausentes no primeiro turno, o equivalente a 22,81% do eleitorado. No país, a abstenção foi de 21,08%, a maior proporção em uma eleição geral desde 1998.
Os eleitores que não compareceram às urnas formam um grupo que as duas campanhas podem tentar mobilizar para o segundo turno. Ainda não é possível saber quantos voltarão a votar nem qual candidato escolherão.
Lula e Flávio também buscarão os votos de eleitores que apoiaram candidatos eliminados na primeira etapa. A decisão desse eleitorado poderá depender de fatores como afinidade política, rejeição aos finalistas e identificação com as propostas apresentadas para o segundo turno.




