Sem a presença do presidente, que permaneceu em Brasília, manifestação reuniu lideranças políticas, movimentos estudantis e militantes de diferentes partidos na orla do Rio de Janeiro
Apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocuparam vários quarteirões da Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (12). A manifestação reuniu militantes, representantes de movimentos sociais e lideranças partidárias em defesa da reeleição do petista, que disputa o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A mobilização foi conduzida por aliados do presidente, entre eles a deputada federal Benedita da Silva (PT), derrotada na disputa pelo Senado, e Jandira Feghali (PCdoB), reeleita para a Câmara dos Deputados.
Lula não participou da manifestação porque permaneceu em Brasília para as celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Entre os compromissos previstos estava uma missa reservada na capela do Palácio da Alvorada. Na ausência do presidente, integrantes de sua base política assumiram a condução do ato na capital fluminense.
Bandeiras, críticas a Flávio Bolsonaro e defesa da soberania
O vermelho predominou entre os participantes, que exibiram bandeiras, adesivos eleitorais e cartazes com mensagens de apoio à candidatura de Lula. A manifestação também foi marcada por críticas ao adversário no segundo turno e por palavras de ordem relacionadas à soberania nacional.
O tema ganhou espaço na campanha petista em meio às acusações de que os Estados Unidos estariam tentando interferir no processo eleitoral brasileiro em benefício de Flávio Bolsonaro.
Outras questões presentes no debate político também apareceram nos cartazes. Uma das faixas cobrava: “Queremos a quebra do sigilo de todos os envolvidos com o Banco Master”, em referência às investigações sobre o escândalo financeiro que alcançou personagens da política nacional.
Em outra mensagem, manifestantes defendiam restrições ao setor de apostas: “Juventude vota contra as bets”. O tema ganhou destaque após medidas adotadas pelo governo federal às vésperas do primeiro turno.
A possibilidade de mudanças nas políticas públicas em uma eventual administração de Flávio Bolsonaro também foi explorada por participantes, que manifestaram preocupação com investimentos em educação, saúde e programas sociais.
Além de integrantes da base governista, a manifestação recebeu militantes de outras legendas. Representantes do PSTU defenderam um “voto crítico” em Lula, justificando a posição pela oposição ao retorno da família Bolsonaro ao comando do Executivo federal.
Música e manifestações culturais integram programação
A organização preparou uma programação com trio elétrico, baterias universitárias e blocos de rua, combinando manifestações políticas e apresentações culturais.
Para o período da tarde, também estava previsto um encontro com representantes do samba e do carnaval carioca nas proximidades dos Arcos da Lapa, na região central do Rio.
Entre os nomes anunciados para a atividade estavam o carnavalesco Leandro Vieira, da Imperatriz Leopoldinense, e o deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT).
A concentração em Copacabana provocou aumento significativo no fluxo de passageiros do metrô. As estações Cantagalo e Siqueira Campos, que atendem à região, registraram grande movimentação, assim como pontos de embarque e desembarque em Botafogo.
Mobilização sucede manifestação na Avenida Paulista
O ato no Rio ocorreu após uma manifestação realizada no sábado (10), na Avenida Paulista, em São Paulo, que também reuniu milhares de apoiadores do presidente.
Organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e por centros acadêmicos universitários, a mobilização paulista ganhou força após o resultado do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula, conforme os números apresentados pelos organizadores.
Diferentemente da manifestação carioca, o presidente participou do encontro em São Paulo, acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ex-ministro Fernando Haddad, das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), além do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).
Os atos nas duas capitais ocorreram em meio à intensificação das atividades políticas que antecedem o segundo turno da eleição presidencial.
A manifestação na Avenida Paulista ocorreu no domingo (11 de outubro), e não no sábado (10), conforme informado anteriormente. A mobilização carioca foi realizada no dia seguinte, segunda-feira (12).




