Resultado recorrente avança 25% em um ano; consultas por financiamento chegam a R$ 237,7 bilhões, enquanto aprovações crescem 52% e alcançam R$ 110,6 bilhões
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões, crescimento de 25% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (12) e mostram também uma expansão expressiva da demanda e das aprovações de crédito pela instituição.
O lucro recorrente, que desconsidera efeitos extraordinários e eventos sem expectativa de repetição, somou R$ 17,1 bilhões no acumulado de 12 meses, o maior resultado já registrado pelo banco nesse indicador.
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido, medida pelo ROE (Return on Equity) recorrente, atingiu 19,2% no semestre, avanço de 0,4 ponto percentual ante igual período de 2025.
Demanda por crédito avança 72%
As consultas para obtenção de financiamentos — etapa inicial do processo de análise do BNDES — alcançaram R$ 237,7 bilhões entre janeiro e junho, volume 72% superior ao registrado no primeiro semestre do ano passado.
Do total consultado, R$ 110,6 bilhões foram aprovados pelo banco, o que corresponde a uma expansão de 52% na comparação anual.
Considerando conjuntamente aprovações de crédito e operações garantidas, o volume chegou a R$ 154 bilhões, crescimento de 19% sobre os primeiros seis meses de 2025. Desse montante, R$ 43,4 bilhões corresponderam a garantias.
Os desembolsos efetivamente realizados somaram R$ 74,8 bilhões no período, alta de 37% na comparação com o mesmo semestre do ano anterior.
Infraestrutura lidera expansão das aprovações
Entre os principais setores financiados pelo BNDES, a infraestrutura apresentou o maior crescimento nas aprovações, com avanço de 91% e volume de R$ 46 bilhões.
Na agropecuária, as aprovações cresceram 46%, alcançando R$ 24,8 bilhões. O comércio e os serviços receberam R$ 17,3 bilhões, alta de 27%, enquanto a indústria contabilizou R$ 22,5 bilhões em crédito aprovado, crescimento de 24%.
As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) também tiveram participação relevante nos resultados. O volume destinado ao segmento atingiu R$ 108,2 bilhões no primeiro semestre, recorde para o período e avanço de 22% em relação a 2025.
Desse total, R$ 43,4 bilhões correspondem a garantias concedidas por fundos garantidores em operações realizadas por instituições financeiras, enquanto outros R$ 64,8 bilhões se referem diretamente a aprovações de crédito.
Inadimplência permanece em nível reduzido
Apesar da expansão da carteira, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu em nível baixo, em 0,05%. O indicador apresentou aumento de 0,02 ponto percentual frente ao primeiro semestre de 2025.
Ao fim de junho, os ativos totais do Sistema BNDES ultrapassavam R$ 1,058 trilhão, avanço de 10% em relação a dezembro do ano passado.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo acréscimo de R$ 76,5 bilhões nas operações da Tesouraria e pela elevação de R$ 20,5 bilhões na carteira de crédito expandida.
Carteira de crédito atinge maior nível em dez anos
A carteira de crédito expandida, composta por financiamentos, repasses, debêntures e outros ativos relacionados à concessão de recursos, somou R$ 684 bilhões em 30 de junho.
O montante representa crescimento de 3,1% sobre dezembro de 2025 e corresponde ao maior volume registrado desde o encerramento do primeiro semestre de 2016.
A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, destacou o papel das debêntures na estruturação de grandes projetos de investimento no país.
“A gente viabiliza o financiamento dos grandes projetos. O projeto de R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões é grande no Brasil e é grande em qualquer lugar do mundo. A gente não vai fazer sozinho, o mercado não vai correr o risco sozinho. É por isso que esse instrumento é super importante para o setor”, afirmou.
Segundo Luciana, a debênture “é um instrumento extremamente importante para o financiamento da infraestrutura no Brasil”.
Mercadante defende atuação em setores estratégicos
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a instituição pretende ampliar a presença em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
Entre os segmentos mencionados estão os eVTOLs — veículos elétricos de pouso e decolagem vertical, conhecidos como carros voadores —, a bioeconomia, os bioinsumos, os minerais críticos, as terras raras e o lítio.
“Se o Brasil quiser estar bem no futuro, ele precisa do BNDES e precisa da ousadia do BNDES. Nós estamos olhando o carro voador, nós estamos olhando bioeconomia, bioinsumos para agricultura, nós estamos analisando minerais críticos, nós vamos entrar forte em terras raras, lítio, em tudo que representa a mobilidade limpa”, disse.
Participações societárias somam R$ 85,4 bilhões
O portfólio de participações societárias do banco alcançou R$ 85,4 bilhões. Desde 2023, a carteira acumula rendimento de R$ 57,4 bilhões, considerando valorização dos ativos e pagamento de dividendos, descontadas as operações de compra e venda.
Entre as principais empresas que compõem a carteira de participações do BNDES estão Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel.


