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Ataque com bomba contra oligarca ucraniano em Mônaco amplia tensões entre Europa e Rússia

Redacao
30 de junho de 2026 às 10:48
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Ataque com bomba contra oligarca ucraniano em Mônaco amplia tensões entre Europa e Rússia

Área é vistoriada por equipe antibomba após detonação de artefato explosivo em Mônaco. Foto: Valery Hache/AFP.

Um atentado com explosivos contra um edifício residencial em Mônaco na noite de segunda-feira, 29 de junho de 2026, deixou três vítimas graves e mobilizou mais de cem policiais e equipes de emergência, segundo relatos oficiais. A detonação ocorrida por volta das 21h (horário local) no estacionamento subterrâneo do prédio atingiu Pavlo Yermolaiev, um proeminente desenvolvedor imobiliário ucraniano de 58 anos radicado no principado, sua parceira e seu filho de 13 anos.

Dinâmica do ataque e reação das autoridades

Testemunhas, como a residente Harri Richie, relataram ouvir uma “explosão incrivelmente alta” que ecoou pelo subsolo do prédio onde se encontrava, a cerca de 100 metros do local do atentado. “Vi equipes de emergência arrastando duas pessoas com ferimentos graves para fora do edifício”, afirmou Richie em depoimento à BBC. Helicópteros de resgate permaneceram sobrevoando a região durante toda a madrugada, enquanto as equipes médicas e policiais isolavam a área.

O governo de Mônaco, representado por Pierre Dartout, ministro de Estado, classificou o incidente como “um ato hediondo” e “um choque para toda a comunidade monegasca”, destacando ser a primeira vez na história do principado que um ataque desse tipo é registrado. O príncipe Alberto II, em declaração oficial, reforçou a gravidade do episódio ao defini-lo como “crime abominável”, sinalizando a mobilização de forças de segurança em nível nacional.

Possíveis motivações políticas em meio à guerra na Ucrânia

Embora as investigações ainda não tenham identificado responsáveis, fontes anônimas citadas pelo jornal Le Figaro associam o ataque a Yermolaiev — figura controversa com laços no setor imobiliário europeu e histórico de negócios na Ucrânia — a possíveis represálias por seu suposto apoio a grupos pró-ucranianos ou a interesses russos no setor energético. Yermolaiev, oriundo de Dnipro, quarta maior cidade ucraniana, teria se tornado alvo após denúncias de lavagem de dinheiro e envolvimento em esquemas financeiros durante o conflito.

Especialistas consultados pela ClickNews avaliam que o atentado pode ter dois vetores principais: a) a escalada de violência contra oligarcas ucranianos no exterior, possivelmente orquestrada por agentes russos; ou b) disputas internas entre facções do submundo financeiro europeu, com Yermolaiev como alvo de acertos de contas. “O timing do ataque, às vésperas de reuniões-chave da UE sobre sanções à Rússia, sugere uma estratégia de desestabilização”, analisa o geopolítico Dr. Ricardo Vasconcelos.

Impacto diplomático e segurança em Mônaco

A repercussão do caso transcende fronteiras. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia ainda não se pronunciou oficialmente, mas diplomatas europeus ouvidos pela ClickNews afirmam que o atentado pode levar a uma revisão das medidas de proteção a cidadãos ucranianos em territórios ocidentais. “Mônaco, embora não seja membro da UE, é um hub financeiro e logístico. Um ataque desse tipo em solo europeu não pode ser tratado como caso isolado”, alerta uma fonte do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE).

As autoridades monegascas mantêm sigilo sobre o andamento das investigações, mas fontes judiciais indicam que a hipótese de terrorismo não é descartada. A polícia local já iniciou rastreamento de câmeras de vigilância e analisa vestígios deixados no local, enquanto a Interpol foi acionada para colaborar com a apuração. A população local, tradicionalmente acostumada à tranquilidade do principado, enfrenta um cenário de incerteza inédito na história recente.