Agronegócio recorre a instrumentos de mercado para financiar expansão
A Agropecuária Maggi, unidade do grupo Amaggi, formalizou no último dia 10 de junho uma emissão de R$ 3,538 bilhões em Cédula de Produto Rural com Liquidação Financeira (CPR-F), título emblemático no setor agropecuário brasileiro. Diferentemente das tradicionais CPRs, que preveem a entrega física de commodities no vencimento, este instrumento converte o lastro em pagamento financeiro aos investidores, alinhando-se às demandas de mercado por liquidez e gestão de riscos.
Lastro em commodities: soja e algodão do MT garantem operação de longo prazo
A emissão da Maggi tem como lastro 1,919 milhão de toneladas de soja e 852,2 mil toneladas de algodão produzidos na Fazenda Itamarati, localizada em Mato Grosso — estado que responde por cerca de 30% da produção nacional de grãos. Os recursos captados serão integralmente destinados a capital de giro, investimentos em infraestrutura e fomento à produção agrícola, segundo documentos da operação. A transação foi estruturada em 3.538.360 títulos de R$ 1 mil cada, com vencimento em 8 de junho de 2036.
Remuneração atrativa: 100% do CDI mais 1,0% ao ano
Os investidores da CPR-F da Maggi receberão, ao longo dos dez anos de vigência do título, uma remuneração equivalente a 100% do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro) acrescida de 1,0% ao ano. Essa taxa reflete a busca do mercado por retornos ajustados ao risco, especialmente em um cenário de juros elevados e incertezas macroeconômicas. A operação reforça a estratégia do grupo Amaggi de diversificar suas fontes de financiamento, reduzindo dependência de crédito bancário tradicional.
Contexto: agro brasileiro prioriza inovação financeira diante de desafios estruturais
A emissão da Maggi ocorre em um momento em que o setor agropecuário brasileiro enfrenta pressões como volatilidade cambial, custos logísticos elevados e restrições ambientais. Instrumentos como a CPR-F permitem às empresas do setor mitigar riscos de mercado e garantir recursos para expansão, mesmo em um ambiente de incerteza. Especialistas destacam que operações desse tipo são essenciais para sustentar a competitividade do agro nacional frente a concorrentes globais.



