Setores brasileiros ganham fôlego com redução de tarifas na Europa
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) — firmado em 11 de junho de 2026 — representa um marco na estratégia de internacionalização da economia brasileira. Ao eliminar tarifas industriais e facilitar a exportação de produtos como carne, café e manufaturados, o tratado aproxima o Brasil de mercados europeus de alto poder aquisitivo, como Suíça e Noruega, que não possuem estrutura industrial capaz de competir em escala com setores estratégicos brasileiros.
Indústria nacional se beneficia com acesso a cadeias globais de valor
Ainda que a EFTA não seja um bloco de dimensão comparável à União Europeia, o acordo prevê a eliminação imediata de tarifas para cerca de 90% das exportações industriais brasileiras. Segundo analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), a medida pode impulsionar as vendas de produtos manufaturados — como máquinas, autopeças e químicos — em até 20% nos próximos três anos, especialmente em setores onde o Brasil já detém vantagem competitiva, como a indústria de transformação.
Café e carne: commodities ganham novos mercados exigentes
Para o setor agroindustrial, a redução de barreiras tarifárias abre caminho para a expansão das exportações brasileiras de café e carne bovina. A Suíça, por exemplo, é um dos principais consumidores de café de alta qualidade, enquanto a Noruega importa carne premium com crescente demanda por produtos sustentáveis. “Esse acordo não só diversifica nossas exportações, mas também alinha o Brasil a padrões europeus de qualidade e rastreabilidade”, afirma a economista Fernanda Carvalho, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Oportunidade em meio à concorrência global
Em um contexto de guerra comercial entre EUA e China e de retração do comércio com a América Latina, o acordo Mercosul-EFTA surge como uma alternativa para reduzir a dependência brasileira de mercados menos dinâmicos. “A EFTA, embora pequena em volume, é composta por países com alto poder de consumo e demanda por produtos premium. Isso pode ser um divisor de águas para setores como o de vinhos, queijos e tecnologias limpas”, avalia o professor José Roberto Borges, da Universidade de São Paulo (USP).
Próximos passos: implementação e monitoramento
O tratado, que ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países-membros, prevê um período de transição de 18 meses para a plena implementação das reduções tarifárias. Enquanto isso, o governo brasileiro já estuda mecanismos para capacitar pequenas e médias empresas (PMEs) a aproveitar as novas oportunidades, por meio de programas de compliance e certificação de qualidade.


