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Por que a ONU está paralisada em relação à guerra na Ucrânia?

Professor de relações internacionais aponta que a estrutura do Conselho de Segurança limita as ações pela manutenção da paz

A guerra na Ucrânia envolve diretamente a Rússia e indiretamente os EUA, ou seja, duas potências militares em lados opostos. Nesse cenário, esperava-se que a ONU (Organização das Nações Unidas) tivesse um papel fundamental para a manutenção da paz, seu principal objetivo desde sua criação após a Segunda Guerra Mundial.

No momento em que o mundo teme a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, a organização demonstra ter ações limitadas diante dessa situação. Isso acontece, principalmente, por causa da sua estrutura, na qual os membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China) têm poder de veto nas decisões e usam isso para se proteger de possíveis consequências de suas políticas externas.

“O Conselho de Segurança é o órgão em que se debate o uso das forças da ONU (Forças de Paz conhecidas como capacetes azuis) e seu formato impede que os países que possuem poder de veto sejam atingidos pelas deliberações, o que é o caso da Rússia agora”, explica o professor João Carlos Jarochinsk, do departamento de Relações Internacionais da UFRR (Universidade Federal de Roraima)

Desde o início da guerra, em 24 de fevereiro, a organização apenas condenou a invasão russa e suspendeu Moscou do Conselho de Direitos Humanos. Porém, não teve nenhuma outra ação relevante que contribuísse para um cessar-fogo entre Moscou e Kiev.

Para além da força militar, o especialista destaca o papel humanitário da organização que se mostra importante e efetivo em muitos momentos, como agora no Leste Europeu.

“A ONU é responsável por uma atuação de forma muito rápida e eficiente na questão dos refugiados ucranianos, além de toda a mobilização para estruturas de recepção, abrigos e campos de refugiados.”

Reformulação

Como a ONU se encontra limitada para atuar no campo da paz em meio à devastação que a guerra provocou em muitas cidades ucranianas, surge o debate sobre se é o momento para uma reformulação.

A organização também enfrenta o entrave da busca por soberania por parte de muitos países, com líderes que visam o fortalecimento nacional e que têm apoio da população. Para Jarochinsk, a conjuntura política é desfavorável para que, neste momento, ocorra uma reforma na instituição e ressalta uma possível “tendência de piora”.

“Devemos avaliar quais são as possibilidades de mudança. Pode ser que não consigamos conquistar os objetivos propostos e que se desestruture um sistema que mal ou bem tem funcionado há mais de 75 anos.”

Ainda existe a questão do financiamento da ONU, que vem de seus países membros, desta forma, a organização depende dessas contribuições para sua atuação pelo mundo. Por esse motivo, o especialista acredita que esse é um ponto sensível e o principal problema a ser enfrentado.

“É preciso pensar no fortalecimento do Tribunal Penal Internacional (TPI), que responsabiliza as pessoas que são responsáveis por muitas atrocidades. Apesar de alguns avanços, o tribunal está muito longe do que seria o ideal.”

 

Letícia Sepúlveda, do R7