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Vacinação contra HPV reduz infecção mesmo entre não imunizadas: estudo brasileiro redefine estratégias de saúde pública

João Oliveira
22 de julho de 2026 às 08:59
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Vacinação contra HPV reduz infecção mesmo entre não imunizadas: estudo brasileiro redefine estratégias de saúde pública

Foto: Marcelo Pereira/Secom

Uma única dose de vacina oferece a mesma proteção eficaz que duas ou até mesmo três doses

 

A imunização contra o papilomavírus humano (HPV) segue demonstrando resultados surpreendentes no Brasil, segundo estudo publicado na revista npj Vaccines. A pesquisa, intitulada POP-Brasil, analisou dados de mais de 16 mil brasileiros entre 16 e 25 anos em duas fases: 2016-2017, logo após a inclusão da vacina no SUS, e 2020-2023.

Eficácia da vacina com dose única e impacto populacional

Os resultados confirmam que uma única dose da vacina contra o HPV é tão eficaz quanto duas ou três doses para prevenir infecções pelos tipos do vírus cobertos pelo imunizante. Entre as mulheres vacinadas, a prevalência desses tipos de HPV caiu 81% — de 15,6% para 3,1% —, um avanço expressivo em menos de uma década.

Efeito indireto: redução de 33% em não vacinadas

O achado mais relevante, no entanto, é o efeito populacional da imunização. Mesmo entre mulheres que nunca receberam a vacina, a circulação dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante diminuiu 33%. Isso evidencia que a imunização de parte da população contribui para a redução da transmissão do vírus em escala comunitária, um fenômeno conhecido como imunidade de rebanho.

Implicações para políticas públicas

Os dados reforçam a necessidade de revisão das estratégias de vacinação no Brasil e em outros países da América Latina. A eficácia da dose única simplifica a logística de imunização, enquanto o efeito populacional amplia o impacto da campanha, mesmo diante de baixas coberturas vacinais em alguns grupos. A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, deve influenciar futuras diretrizes nacionais e globais de saúde pública.