Duas quedas da Cachoeira dos Dragões estavam sem água em razão do período de estiagem
Registro viralizou nas redes sociais
A turista Diully Mércia dos Santos, de Aparecida de Goiânia, ficou surpresa ao encontrar duas cachoeiras sem água durante a primeira visita ao complexo Cachoeira dos Dragões, em Pirenópolis. Ela gravou a paisagem e publicou o vídeo nas redes sociais 1289.
“Olha, gente, olha que tristeza. Aqui era uma cachoeira, né? E não tem nada. Seca, seca, seca, seca. Muito triste”, diz Julie no vídeo.
A viagem também marcou a primeira experiência da jovem em uma trilha e em uma cachoeira. Antes do início do passeio, um funcionário do atrativo teria informado que duas das quedas estavam secas por causa da época do ano.
Ao longo da visita, Diully conheceu oito cachoeiras. Segundo ela, as quedas chamadas Dragão Verdadeiro e Dragão Voador eram as que estavam completamente sem água.
Estiagem reduz vazão
O guia de turismo Mauro Henrique, que atua em Pirenópolis há quase 30 anos, explicou que a redução do volume durante o período seco é recorrente em parte do complexo.
A área está localizada em uma região elevada e de nascente. Das oito cachoeiras, quatro podem apresentar pouca ou nenhuma água durante a estiagem: duas secam completamente e outras duas mantêm apenas um fluxo reduzido 1289.
“Essas cachoeiras elas secam mesmo na época da seca, porque lá é um lugar muito alto e um lugar de nascente. (…) Das oito cachoeiras que tem lá, quatro praticamente você pode considerar secas. Duas secas de tudo e outras duas ficam pouquíssima água”, explicou.
O guia afirmou que a variação no volume das quedas faz parte da dinâmica natural do local, especialmente em períodos prolongados sem chuva.
Vegetação influencia microclima
O turismólogo e guia de turismo Luiz Triers, que foi gerente da Cachoeira dos Dragões entre 2018 e 2023, relatou que a situação atual também despertou discussões sobre possíveis transformações ambientais na região.
Segundo ele, um funcionário que vive no local desde a década de 1980 relatou que os períodos de seca mais acentuados começaram a ser percebidos a partir de meados dos anos 2000.
Luiz explicou que a redução das matas ciliares e da vegetação nativa pode interferir nos microclimas e na dinâmica dos cursos d’água. A vegetação participa do processo de transpiração e contribui para a formação e a manutenção da umidade na atmosfera.
“Então isso não é uma questão solar, é uma questão regional e um pouco maior, né? Porque a diminuição das matas ciliares e das coberturas de vegetação natural que auxiliam no processo, né, de fotossíntese e dos rios aéreos, porque no processo de fotossíntese as árvores transpiram mais, vem afetando os microclimas”, afirmou Luiz.
Turismo depende das condições naturais
A Cachoeira dos Dragões é um dos atrativos naturais de Pirenópolis e recebe visitantes interessados em trilhas, piscinas naturais e quedas d’água. O volume dos rios e das cachoeiras varia conforme o regime de chuvas, a altitude, as nascentes e as condições de preservação da vegetação.
O episódio registrado por Diully chamou a atenção para os efeitos da estiagem sobre os pontos turísticos e para a necessidade de acompanhar as condições ambientais da região. Em Goiás, o período seco também tem sido marcado por temperaturas elevadas, umidade baixa e risco de queimadas 1293.
Mesmo durante a estiagem, o complexo permanece com diferentes atrativos, mas algumas cachoeiras podem apresentar vazão reduzida ou ficar temporariamente sem água.



