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Tarifa dos EUA: 7 setores brasileiros na mira da nova barreira comercial a partir de 22/07

João Oliveira
21 de julho de 2026 às 09:23
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Tarifa dos EUA: 7 setores brasileiros na mira da nova barreira comercial a partir de 22/07

(Imagem: Racide/iStock)

Cadeias globais interrompidas pela decisão unilateral

 

Em vigor a partir de amanhã (22/07), a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros transcende o setor de plásticos, conforme alerta a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). A medida, que atinge diretamente cadeias produtivas dependentes de embalagens, componentes ou matérias-primas plásticas, representa apenas a ponta do iceberg de um movimento protecionista que ameaça segmentos estratégicos da economia brasileira.

Setores mais vulneráveis: de autopeças a eletrônicos

Levantamento da Abiplast, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), identifica sete setores com alta exposição às novas barreiras comerciais norte-americanas. Além do plástico, destacam-se:

  • Automotivo: Componentes plásticos e metálicos com destino à cadeia de montagem dos EUA;
  • Têxtil e vestuário: Embalagens e insumos para marcas brasileiras que exportam para o mercado americano;
  • Calçadista: Solados e acessórios plásticos presentes em 40% das exportações do setor;
  • Eletrônicos: Cabos, conectores e estruturas plásticas para dispositivos fabricados no Brasil;
  • Agronegócio: Embalagens plásticas para exportação de alimentos processados;
  • Móveis: Componentes plásticos e revestimentos para o mercado norte-americano;
  • Bens de capital: Peças plásticas e metálicas para máquinas industriais exportadas.

Impacto assimétrico: PMEs em xeque

A entidade projeta perdas diretas e indiretas que podem comprometer a viabilidade de pequenas e médias empresas exportadoras, especialmente aquelas com contratos já firmados para entrega nos próximos 12 meses. “A tarifa de 25% inviabiliza a manutenção de margens competitivas para produtos que já enfrentam concorrência agressiva no mercado americano”, afirma a Abiplast. Segundo a associação, o aumento de custos pode reduzir as exportações brasileiras para os EUA em até 15% no segundo semestre de 2026, com reflexos no PIB industrial nacional.

Consequências além das fronteiras

Além do impacto imediato nas exportações, analistas ouvidos pela ClickNews destacam três desdobramentos potenciais: (1) realocação de investimentos para outros mercados (Europa, Ásia), (2) pressão sobre a cadeia logística brasileira para buscar rotas alternativas, e (3) possível retaliação por parte do governo brasileiro em setores sensíveis dos EUA, como agronegócio ou tecnologia. “A medida isola os EUA em um momento de redução de barreiras comerciais globais”, avalia economista consultado.