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Tarifa de 25% dos EUA: como pequenas empresas brasileiras serão atingidas mesmo sem exportar diretamente

Redacao
17 de julho de 2026 às 11:33
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Tarifa de 25% dos EUA: como pequenas empresas brasileiras serão atingidas mesmo sem exportar diretamente

Foto: Imagem Gerada por IA

Alerta além das fronteiras: a tarifa que afeta quem não exporta

Desde a última quarta-feira (15/07), quando o governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de 25% de tarifa sobre produtos brasileiros, o foco inicial recaiu sobre os grandes exportadores de aço, madeira e outros setores diretamente afetados. No entanto, a medida tem potencial de reverberar por toda a cadeia produtiva nacional, atingindo pequenos e médios negócios de forma indireta e muitas vezes invisível.

A Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje) emitiu alerta sobre os riscos desse impacto cascata. Segundo Willyan Francescon, vice-presidente da entidade, muitos empreendedores ainda não compreendem que a tarifa pode elevar os custos operacionais mesmo em segmentos não diretamente taxados.

Cadeia produtiva: o elo invisível da sobretaxa

Francescon destaca que a interdependência dos setores é o principal vetor de propagação dos efeitos da tarifa. “O pequeno empresário costuma pensar: ‘Como o assunto é aço ou madeira, isso não vai me impactar’. Mas ele está enganado. Fazemos parte de uma teia de fornecedores, prestadores de serviços e insumos que, em algum ponto, se conecta a esses setores”, explicou em entrevista ao programa Pré-Market.

Um exemplo concreto é o setor de embalagens: se o papelão utilizado por uma gráfica local depende de celulose derivada do setor madeireiro, que agora enfrenta barreiras tarifárias nos EUA, o custo desse insumo pode subir. Isso, por sua vez, pressiona preços e margens de lucro de empresas que sequer negociam com o mercado externo.

Diversificação de mercados: solução viável, mas de longo prazo

O governo federal anunciou iniciativas para mitigar os impactos da sobretaxa, incluindo a diversificação de parceiros comerciais. No entanto, Francescon adverte que essa transição não ocorrerá de forma imediata. “Encontrar novos compradores exige tempo, negociações e adaptação a padrões regulatórios distintos. Enquanto isso, as pequenas empresas seguem vulneráveis”, afirmou.

Dados preliminares da Conaje indicam que cerca de 30% das pequenas empresas brasileiras já relataram aumento nos preços de insumos desde o anúncio da tarifa. O setor de móveis, fortemente dependente de cadeias globais, é um dos mais afetados, com elevação de até 12% nos custos de produção.

O que fazer agora?

Especialistas recomendam que os pequenos negócios mapeiem suas cadeias de fornecimento para identificar pontos de vulnerabilidade. Além disso, a busca por alternativas locais ou de mercados não tarifados pode ser uma estratégia emergencial. “Não se trata de substituir exportações, mas de blindar a operação contra choques externos”, conclui Francescon.