Ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar poucas horas depois de o Senado aprovar seu impeachment; crise envolvendo o Ueno Bank atingiu cerca de 3 milhões de clientes
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido pela polícia na noite de sexta-feira (6), poucas horas depois de ser afastado definitivamente do cargo por decisão do Senado. A medida foi determinada pelo Ministério Público paraguaio em meio às investigações sobre irregularidades relacionadas ao colapso do banco digital Ueno, episódio que desencadeou uma grave crise política e financeira no país.
Peña foi colocado em prisão domiciliar em sua residência, em Assunção, capital paraguaia. A determinação estabelece que ele permaneça sob custódia enquanto as autoridades responsáveis pela investigação definem os próximos procedimentos judiciais.
Senado aprova impeachment após crise financeira
A destituição de Santiago Peña ocorreu após o Senado paraguaio concluir o processo de impeachment motivado por suspeitas de envolvimento do então presidente em irregularidades relacionadas ao Ueno Bank.
O escândalo ganhou repercussão nacional depois que a instituição financeira enfrentou problemas de solvência, comprometendo o acesso de milhões de clientes aos recursos depositados.
Parlamentares da oposição apontaram possíveis conflitos de interesses envolvendo Peña, que manteve participação acionária no Grupo Vázquez, controlador do banco, até o ano passado.
A relação empresarial anterior do ex-presidente com o grupo passou a ser questionada diante das circunstâncias que levaram à crise da instituição financeira.
Banco Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes
O Ueno Bank atendia aproximadamente 3 milhões de consumidores e concentrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos, conforme informações divulgadas sobre a situação financeira da instituição.
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai iniciou uma intervenção na instituição após identificar problemas em seus indicadores de solvência.
Entre as irregularidades apontadas estavam operações de crédito destinadas a empresas vinculadas ao próprio grupo empresarial, situação que levantou questionamentos sobre a administração dos recursos e o cumprimento das exigências regulatórias.
A crise bancária provocou preocupação entre correntistas e investidores, especialmente diante das dificuldades para movimentar valores mantidos na instituição.
Peña pediu prioridade aos interesses dos poupadores
Antes de ser detido, Santiago Peña utilizou as redes sociais para defender que a proteção dos clientes afetados pela crise financeira estivesse acima das disputas políticas.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou o então presidente.
A manifestação ocorreu em meio ao agravamento das pressões sobre seu governo e ao avanço das investigações relacionadas à situação financeira do Ueno Bank.
Ex-presidente permanece sob investigação
Após a aprovação do impeachment, o Ministério Público determinou a detenção de Peña, que passou a permanecer sob custódia em sua residência.
As autoridades paraguaias investigam possíveis irregularidades envolvendo a administração e a fiscalização da instituição financeira, incluindo suspeitas de abuso de confiança e tráfico de influência.
A destituição também provocou uma mudança no comando do país, com a posse de Pedro Alliana na Presidência do Paraguai.
O caso continua sob investigação, e a responsabilidade criminal do ex-presidente dependerá da apuração das acusações e das decisões da Justiça paraguaia.
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