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Sangue raro: a batalha silenciosa dos hemocentros para manter estoques vitais

Redacao
25 de junho de 2026 às 10:21
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Sangue raro: a batalha silenciosa dos hemocentros para manter estoques vitais

Foto: Reprodução

Na última quinta-feira, 25 de junho de 2026, às 05h45, o Brasil enfrentava um paradoxo crônico: enquanto 38% da população tem sangue O+, capaz de ser transfundido para 75% dos casos, tipos como o AB- — presente em menos de 1% dos doadores — ou o Rh nulo, conhecido como “sangue dourado” e com registros de menos de 50 casos globais, tornam-se moedas de troca em emergências.

Genética e demografia: por que alguns tipos sanguíneos são raros?

A raridade de determinados tipos sanguíneos não é aleatória. Segundo a Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea (ISBT), um tipo é classificado como raro quando ocorre em menos de 1 a cada 1.000 pessoas, decorrente de combinações genéticas específicas ou da ausência de antígenos comuns na maioria da população. O AB-, por exemplo, exige a herança simultânea de genes pouco frequentes em grupos étnicos mistos, como o brasileiro. Já o Rh nulo, resultado de uma mutação recessiva, exige que ambos os pais transmitam o gene defeituoso — uma probabilidade de 1 em 6 milhões.

Estoques em xeque: a matemática da sobrevivência

A distribuição desigual dos tipos sanguíneos no Brasil — onde O+ lidera com 38%, seguido por A+ (34%), B+ (8%) e AB+ (3%) — reflete não apenas a diversidade genética, mas também a dependência de doadores voluntários. Em 2025, dados da Anvisa indicaram que hemocentros enfrentaram colapsos em estoques de O- (7% da população), tipo universal para transfusões emergenciais, em 42% dos estados. A situação se agrava em feriados e finais de semana, quando a redução de 30% nos atendimentos hospitalares coincide com a queda de 50% nas doações, segundo levantamento da Fundação Pró-Sangue.

Estratégias de sobrevivência: como os hemocentros se adaptam?

Diante da escassez, hemocentros adotam medidas técnicas para mitigar riscos. A Rede de Bancos de Sangue de São Paulo, maior do país, implementou em 2024 um sistema de cruzamento prévio entre doadores raros e pacientes crônicos, como aqueles com doenças hematológicas que necessitam de transfusões mensais. Além disso, parcerias com laboratórios de genética permitem mapear doadores potenciais com perfis compatíveis, reduzindo a dependência de estoques físicos. Em casos extremos, como o Rh nulo, recorre-se a doadores internacionais cadastrados em bancos como o International Rare Donor Panel, que conta com apenas 300 doadores registrados no mundo.

O que falta para virar o jogo?

A solução permanente exige mais do que campanhas pontuais. Especialistas da Associação Brasileira de Hematologia (ABHH) defendem a inclusão de testes genéticos em doadores voluntários, permitindo identificar e cadastrar perfis raros antes mesmo de uma emergência. Outra frente é a regulamentação de incentivos fiscais para empresas que promovem doações periódicas entre funcionários, aliado a políticas públicas que garantam estoques mínimos em hospitais públicos. Enquanto isso, a população pode fazer a diferença: doar regularmente, especialmente quem tem tipos O-, O+ ou AB-, é a forma mais concreta de combater a crise silenciosa que ceifa vidas todos os dias.