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Ronaldo Caiado lança candidatura presidencial isolada: PSD enfrenta falta de apoio e cláusulas de barreira

João Oliveira
26 de julho de 2026 às 14:59
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Ronaldo Caiado lança candidatura presidencial isolada: PSD enfrenta falta de apoio e cláusulas de barreira

Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab na convenção do PSD em São Paulo. Foto: Divulgação/PSD.

O PSD ainda não firmou parcerias com outras siglas de centro-direita

A oficialização da candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência, no domingo, 26 de julho de 2026, revelou um cenário de isolamento político ainda mais acentuado do que o antecipado por analistas. Dez dias antes do término do prazo para convenções partidárias, a chapa — composta por Caiado como candidato e Gilberto Kassab (PSD) na vice — não conseguiu sequer o apoio nominal de figuras-chave do PSD, como os governadores Mateus Simões (PE) e Raquel Lyra (MG), ou o ex-prefeito Eduardo Paes (candidato ao governo do Rio de Janeiro).

Falta de ‘solo fértil’ para alianças: Kassab descarta composições

A ausência de apoios não é casual, segundo manifesto do próprio vice de Caiado. Kassab admitiu que o PSD não avançou em negociações com outras legendas, seja por recusa formal — como no caso do União Brasil — ou pela incapacidade de partidos menores cumprirem a cláusula de barreira. “O União negou a candidatura para o Caiado, por isso ele está no PSD”, afirmou. “Em relação aos partidos menores, é evidente que eles não estão atingindo a cláusula de barreira. Estivemos conversando com Romeu Zema e o mesmo ocorreu com o Missão. Os demais estão comprometidos com o bolsonarismo e o petismo, e nós não queremos compromisso com nenhuma dessas frentes.”

Estratégia local versus nacional: onde Caiado pode contar pontos

Apesar do isolamento em nível federal, Kassab buscou justificar a candidatura pela necessidade de manter apoios regionais estratégicos, como os de Raquel Lyra (MG) e Eduardo Paes (RJ). “O palanque do Eduardo Paes será múltiplo, porque o Brasil precisa que ele seja governador do Rio de Janeiro”, declarou. No entanto, ressalvou que, em âmbito nacional, a chapa de Caiado não deve colher frutos além dos já consolidados no PSD. A estratégia parece ser uma aposta em nichos eleitorais, sobretudo em estados onde o partido ainda detém influência, mas sem projeção de coalizões amplas.

Consequências: o que esperar de uma candidatura sem alianças

O cenário atual indica que a campanha de Caiado dependerá majoritariamente de recursos próprios do PSD e de eventuais apoios pontuais de partidos de pequeno porte, cujas bases eleitorais são limitadas. Analistas políticos destacam que a ausência de alianças reduz as chances de a chapa atingir o quociente eleitoral necessário para eleger Caiado já no primeiro turno, além de fragilizar sua capacidade de negociação em um eventual segundo turno. A estratégia, contudo, pode ser revisitada caso haja mudanças no cenário político nos próximos dias, embora o tempo para formalizar novas composições seja cada vez mais escasso.