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Restrições migratórias nos EUA ameaçam receita bilionária da Copa do Mundo 2026

Redacao
15 de junho de 2026 às 06:54
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Restrições migratórias nos EUA ameaçam receita bilionária da Copa do Mundo 2026

Foto: Joyce Canelle

A três dias da estreia da Copa do Mundo 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá — marcada para esta segunda-feira, 15 de junho de 2026 —, o setor turístico enfrenta um paradoxo: enquanto a demanda por experiências internacionais explode globalmente, as políticas migratórias restritivas adotadas pelo governo americano ameaçam converter o maior evento esportivo do mundo em um prejuízo econômico para os países-sede.

Viagens adiadas ou canceladas: o impacto das barreiras burocráticas

Desde a última quinta-feira (11), quando a competição teve início em Los Angeles, relatos de dificuldades na obtenção de vistos B-2 (turismo) e atrasos em processos migratórios já se espalham entre agências de viagem e plataformas de reservas. Especialistas ouvidos pela ClickNews destacam que, embora o México e o Canadá tenham mantido políticas migratórias mais flexíveis, a postura americana — com fiscalizações mais rígidas em aeroportos e barreiras à entrada de cidadãos de países africanos e do Oriente Médio — está agravando um cenário já tenso.

Números que revelam a crise: Miami e Dallas em alerta vermelho

Levantamento exclusivo da American Hotel & Lodging Association (AHLA), publicado pelo The Conversation em 12 de junho de 2026, aponta que 80% dos 500 empresários do setor hoteleiro consultados admitem reservas para a Copa abaixo das expectativas. Em Miami, tradicional destino para torcedores devido à proximidade com a América Latina, a ocupação hoteleira caiu 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto Dallas — uma das 16 cidades-sede — registrou queda de 12% nas reservas de voos internacionais com chegada prevista entre 14 e 29 de junho.

Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) corroboram a tendência: voos com destino aos EUA para o período da Copa tiveram uma redução de 22% no comparecimento de passageiros em comparação com a edição de 2022, no Catar. “As restrições não só afastam turistas, como também desencorajam empresas a patrocinar viagens de funcionários”, afirmou um executivo de uma grande rede hoteleira americana, que preferiu não se identificar.

Copa do Mundo 2026: um teste para a diplomacia esportiva

O impacto econômico vai além dos hotéis e companhias aéreas. Restaurantes, atrações culturais e comércio local também dependem do fluxo de torcedores internacionais. Em Toronto, a prefeitura já anunciou um pacote de US$ 50 milhões para subsidiar vistos de curta duração, buscando mitigar os efeitos da política americana. No entanto, analistas do setor imobiliário alertam que, se as restrições persistirem, o prejuízo pode ultrapassar os US$ 5 bilhões previstos pela AHLA — um valor que representaria 0,2% do PIB combinado dos três países-sede.

A situação coloca em xeque a estratégia de longo prazo do torneio, que busca expandir sua base de fãs globalmente. “A Copa do Mundo não é apenas um evento esportivo, é um negócio de bilhões. Se os torcedores não conseguem entrar, o prejuízo é de todos”, declarou um porta-voz da FIFA, que não quis se pronunciar oficialmente sobre o tema.