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Reeleição marca história recente de Mato Grosso e volta ao centro da disputa pelo governo em 2026

Missias
24 de agosto de 2026 às 18:14
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Reeleição marca história recente de Mato Grosso e volta ao centro da disputa pelo governo em 2026

Reprodução

Desde que a recondução consecutiva passou a ser permitida, quatro dos cinco governadores que buscaram permanecer no Palácio Paiaguás durante o exercício do cargo venceram nas urnas; cenário de 2026 reúne Otaviano Pivetta, que acumulou três mandatos como prefeito e dois como vice-governador, e o senador Wellington Fagundes, além de outras quatro candidaturas registradas

A eleição para o Governo de Mato Grosso em 2026 acrescentará um novo capítulo a uma característica que acompanha a política estadual há quase três décadas: a recorrência de governadores que conseguem permanecer no Palácio Paiaguás após disputar a eleição no exercício do cargo.

A análise das eleições realizadas desde 1994 mostra que o fenômeno ganhou forma após a aprovação da Emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997. A mudança na Constituição passou a permitir que presidente da República, governadores e prefeitos — assim como quem tivesse sucedido ou substituído o titular durante o mandato — disputassem um único período consecutivo.

Desde então, cinco governadores chegaram às urnas em Mato Grosso buscando permanecer no cargo. Dante de Oliveira venceu em 1998; Blairo Maggi, em 2006; Silval Barbosa, em 2010; e Mauro Mendes, em 2022. Pedro Taques, em 2018, foi o único a disputar a continuidade no governo e não conseguir um novo mandato.

Em 2026, Otaviano Pivetta (Republicanos) passa a integrar essa sequência histórica. Vice-governador eleito em 2018 e novamente em 2022, ele assumiu definitivamente o Governo de Mato Grosso em 31 de março deste ano, após a renúncia de Mauro Mendes, que deixou o Executivo estadual. A sucessão foi formalizada em sessão solene na Assembleia Legislativa.

Dante inaugurou a reeleição em Mato Grosso

A eleição de 1994 serve como ponto inicial para compreender esse período. Naquele ano, Dante de Oliveira, então no PDT, foi eleito governador com 471.104 votos, equivalentes a 71,27% dos votos válidos. A possibilidade de reeleição consecutiva ainda não existia.

A alteração constitucional aprovada em 1997 permitiu que Dante, já filiado ao PSDB, voltasse às urnas quatro anos depois. Em 1998, ele venceu novamente a eleição estadual e tornou-se o primeiro governador de Mato Grosso beneficiado pela nova regra de recondução consecutiva. A apuração daquele pleito registrou 53,95% dos votos para Dante.

O resultado inaugurou uma sequência que voltaria a aparecer nas décadas seguintes.

Blairo Maggi mantém sequência em 2006

Blairo Maggi chegou ao Governo de Mato Grosso pela eleição de 2002. Quatro anos depois, apresentou-se novamente ao eleitorado para permanecer no cargo.

Em 2006, Maggi foi reeleito no primeiro turno com 922.765 votos, equivalentes a 65,39% dos votos válidos. O resultado foi registrado pela Justiça Eleitoral e divulgado à época por diferentes veículos de comunicação e pela Assembleia Legislativa.

Com a recondução de Maggi, os dois primeiros governadores mato-grossenses que buscaram um mandato consecutivo depois da mudança constitucional — Dante e Blairo — conseguiram permanecer no cargo.

Silval assume o governo e vence eleição no mesmo ano

O processo eleitoral de 2010 apresentou uma situação diferente.

Silval Barbosa havia sido eleito vice-governador na chapa de Blairo Maggi em 2006. Em 31 de março de 2010, assumiu definitivamente o governo depois que Maggi deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado.

Meses depois, Silval concorreu ao Palácio Paiaguás já na condição de governador. Venceu a eleição no primeiro turno com 759.805 votos, correspondentes a 51,21% dos votos válidos.

O caso possui relevância para o cenário de 2026 porque a Constituição inclui entre os alcançados pela regra da reeleição quem sucede ou substitui o chefe do Executivo durante o mandato.

Pedro Taques interrompe sequência em 2018

A sucessão de vitórias de governadores candidatos à permanência no cargo foi interrompida em 2018.

Pedro Taques havia sido eleito governador em 2014 e, quatro anos depois, apresentou candidatura a um segundo mandato consecutivo. Não conseguiu a reeleição.

Mauro Mendes venceu a eleição de 2018 e assumiu o Governo de Mato Grosso em janeiro de 2019. Otaviano Pivetta integrou aquela chapa como vice-governador, conforme o termo oficial de posse registrado pela Assembleia Legislativa.

A derrota de Taques permaneceu, até agora, como o único caso ocorrido em Mato Grosso desde a criação da reeleição em que um governador chegou ao pleito buscando continuar no cargo e não obteve novo mandato.

Mauro Mendes é reeleito em 2022

Quatro anos depois de assumir o Executivo, Mauro Mendes disputou a reeleição.

O resultado foi definido no primeiro turno de 2022. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Mendes recebeu 1.114.549 votos, equivalentes a 68,45% dos válidos, e foi reconduzido ao cargo. Pivetta foi novamente eleito vice-governador.

Com isso, o retrospecto desde a implantação da reeleição passou a registrar quatro casos de permanência no governo após uma nova disputa eleitoral — Dante de Oliveira, Blairo Maggi, Silval Barbosa e Mauro Mendes — e uma tentativa sem êxito, a de Pedro Taques.

Pivetta chega a 2026 após dois mandatos como vice

A eleição deste ano ocorre em uma configuração institucional diferente da observada em 2022.

Otaviano Pivetta exerceu a vice-governadoria durante o primeiro mandato de Mauro Mendes, iniciado em janeiro de 2019. Em 2022, voltou a integrar a chapa e foi eleito para mais quatro anos como vice. Os dois mandatos estão registrados nos termos de posse da Assembleia Legislativa.

A participação de Pivetta nesse período ocorreu durante administrações que promoveram projetos e investimentos em áreas como infraestrutura rodoviária, saúde e educação. Registros oficiais do Estado apontam, por exemplo, obras de pavimentação e pontes, construção e ampliação de unidades escolares e implantação de novas estruturas hospitalares. Essas ações passaram a integrar a narrativa de continuidade apresentada pelo grupo governista na eleição de 2026.

Em 31 de março de 2026, com a renúncia de Mauro Mendes, Pivetta deixou a vice-governadoria e assumiu definitivamente o Palácio Paiaguás.

A situação institucional apresenta elemento semelhante ao ocorrido com Silval Barbosa em 2010: nos dois casos, um vice-governador sucedeu definitivamente o titular no último ano do mandato e chegou à eleição ocupando o Governo do Estado.

Experiência de Pivetta no Executivo começou em Lucas do Rio Verde

A trajetória administrativa de Pivetta, no entanto, antecede sua chegada à vice-governadoria estadual.

Ele comandou Lucas do Rio Verde por três mandatos. Foi prefeito entre 1997 e 2000, permaneceu no cargo entre 2001 e 2004 após vencer uma nova eleição municipal e retornou à prefeitura para o período de 2013 a 2016. Os três mandatos constam dos registros oficiais do município.

O histórico significa que, antes de assumir o Governo de Mato Grosso em 2026, Pivetta já havia acumulado 12 anos à frente de um Executivo municipal, além dos períodos exercidos como vice-governador desde 2019.

A reeleição também aparece em sua própria trajetória municipal. Pivetta iniciou o primeiro mandato como prefeito em 1997, justamente no ano em que foi aprovada a emenda constitucional que autorizou a recondução consecutiva, e permaneceu à frente da prefeitura no mandato seguinte.

Wellington Fagundes chega à disputa exercendo mandato no Senado

Entre os candidatos registrados ao Governo de Mato Grosso está o senador Wellington Fagundes, do PL.

Fagundes possui trajetória no Congresso Nacional iniciada em 1991. Antes de chegar ao Senado, exerceu seis mandatos como deputado federal por Mato Grosso. Foi eleito senador em 2014 e posteriormente reconduzido ao Senado. Registros da própria Casa Legislativa confirmam sua passagem de 24 anos pela Câmara dos Deputados antes da atuação como senador.

Em 2026, Wellington concorre ao governo pela coligação Coração da Gente, formada por PL, MDB, Novo e pela Federação Renovação Solidária, composta por PRD e Solidariedade.

O senador já havia disputado o Governo de Mato Grosso em 2018, eleição vencida por Mauro Mendes.

Apoios municipais atravessam fronteiras partidárias

Um dos movimentos registrados no atual processo eleitoral ocorreu em 18 de agosto, quando 133 prefeitos assinaram uma carta manifestando apoio à candidatura de Pivetta.

O grupo inclui gestores filiados a diferentes partidos, inclusive legendas que participam de coligações adversárias na disputa estadual. Reportagens publicadas após o ato registraram a presença entre os signatários de prefeitos vinculados ao PL e ao MDB, partidos que integram a coligação de Wellington Fagundes.

A situação gerou manifestações dentro do próprio PL. O deputado estadual Gilberto Cattani declarou que algumas decisões partidárias produziram insatisfação entre integrantes da legenda e citou especificamente a composição com o MDB. Ao mesmo tempo, afirmou que prefeitos e eleitores têm liberdade para definir seus próprios apoios políticos e minimizou a possibilidade de transferência automática dos votos de um município a partir da posição adotada pelo prefeito.

As manifestações mostram que as coligações registradas formalmente na Justiça Eleitoral não impedem que prefeitos, deputados e outras lideranças adotem posições diferentes nas disputas majoritárias.

A campanha de Wellington, por sua vez, mantém agendas próprias nos municípios e inaugurou estruturas eleitorais em cidades como Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, Primavera do Leste e Barra do Garças, além de participar de lançamentos de candidaturas proporcionais de integrantes de sua coligação e de partidos aliados.

Eleição tem seis candidaturas registradas

Embora Pivetta e Wellington ocupem espaço relevante no debate político estadual, a eleição para governador não se restringe aos dois nomes.

Segundo dados do sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas da Justiça Eleitoral, Mato Grosso tem seis candidaturas registradas para o cargo de governador: Wellington Fagundes (PL), Natasha Slhessarenko (PSD), Rafaell Milas (Missão), Mauricio Coelho (Mobiliza), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Laudicério Aguiar Machado (Agir). Até esta data, os pedidos ainda constam como aguardando julgamento, situação que pode ser atualizada pela Justiça Eleitoral ao longo do processo.

A presença das demais candidaturas também integra o cenário que será submetido ao eleitorado no primeiro turno.

Histórico da reeleição volta a ser testado

A eleição de 2026 coloca novamente em julgamento nas urnas uma sequência iniciada com Dante de Oliveira em 1998.

Desde que a reeleição passou a existir, Dante conseguiu permanecer no governo; Blairo Maggi fez o mesmo; Silval Barbosa, após suceder Maggi, venceu a eleição de 2010; Pedro Taques não obteve a recondução em 2018; e Mauro Mendes foi reeleito em 2022.

Agora, Pivetta disputa a permanência no Palácio Paiaguás depois de assumir definitivamente o Executivo estadual. Sua trajetória inclui os dois mandatos como vice-governador e três períodos anteriores como prefeito de Lucas do Rio Verde.

Wellington participa da eleição no exercício do mandato de senador e com uma carreira parlamentar iniciada há mais de três décadas. Sua candidatura é sustentada formalmente por uma coligação que reúne cinco legendas e uma federação partidária, ao mesmo tempo em que parte das lideranças municipais filiadas a partidos desse arco declarou apoio a outra candidatura.

O retrospecto das eleições anteriores é um dado histórico, mas não estabelece antecipadamente o resultado de 2026. As condições políticas, as alianças partidárias, as candidaturas apresentadas e, sobretudo, a decisão dos eleitores definirão se Mato Grosso manterá ou interromperá novamente a sequência de governadores que conseguiram permanecer no cargo após chegar às urnas no exercício do Palácio Paiaguás.