Investigação aponta que registros teriam sido feitos durante a troca de fraldas em uma creche municipal; três crianças são tratadas como possíveis vítimas
Uma professora de 52 anos e um empresário de 54 foram presos preventivamente nesta quinta-feira (16), em Céu Azul, no oeste do Paraná, durante uma investigação sobre a produção e o compartilhamento de imagens de nudez infantil.
De acordo com a Polícia Civil do Paraná, a mulher trabalhava em um Centro Municipal de Educação Infantil e é suspeita de fotografar partes íntimas de bebês durante o horário de expediente. Até agora, três crianças foram identificadas como possíveis vítimas.
Empresário teria solicitado as imagens
As apurações indicam que o material era enviado ao empresário, com quem a professora mantinha um relacionamento. Ele atuava como apresentador de um programa regional de sorteios transmitido por emissoras da região de Cascavel. A identidade da servidora não foi divulgada.
Segundo a delegada Jéssica Farias, as fotografias teriam sido produzidas durante a troca de fraldas. A polícia também investiga se as crianças podem ter sido submetidas a outras formas de violência. O inquérito tramita sob sigilo.
Denúncias deram origem à investigação
O caso começou a ser apurado após a Delegacia da Mulher de Cascavel receber denúncias de abuso sexual envolvendo o empresário. Na primeira fase da investigação, agentes cumpriram mandados de busca na residência do suspeito, em Céu Azul, e na empresa mantida por ele em Cascavel.
A análise dos equipamentos e documentos apreendidos revelou indícios de novos crimes e direcionou os investigadores à professora. Posteriormente, uma ordem de busca foi cumprida contra a servidora, e os elementos reunidos fundamentaram o pedido de prisão preventiva dos dois investigados.
Ambos foram detidos em suas residências. Os aparelhos celulares recolhidos serão periciados para localizar arquivos eventualmente apagados, determinar as circunstâncias em que os registros foram feitos e identificar outras possíveis vítimas.
“Os celulares apreendidos serão enviados à agência de inteligência da Polícia Civil para verificar se existem, de fato, essas imagens e em qual contexto foram produzidas”, explicou a delegada.
Suspeitos podem responder por crimes previstos no ECA
A professora e o empresário são investigados pelos crimes de produzir e divulgar registros de nudez envolvendo crianças, condutas previstas nos artigos 240 e 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Depois dos procedimentos realizados na delegacia de Matelândia, os dois foram encaminhados à Cadeia Pública de Medianeira, onde permanecem à disposição da Justiça. As defesas dos investigados não haviam sido localizadas.
Prefeitura anuncia medidas administrativas
Em nota, a Prefeitura de Céu Azul informou que acompanha o andamento do caso e classificou o episódio como inédito na rede municipal de ensino.
A administração declarou que adotará as providências administrativas cabíveis após receber oficialmente as informações da investigação. Também afirmou que colabora com as autoridades e que atua para garantir a proteção das crianças, além de preservar a identidade das possíveis vítimas.
Polícia apura existência de outras vítimas
A Polícia Civil busca esclarecer se outras crianças foram fotografadas e se o conteúdo teria sido compartilhado ou comercializado com terceiros.
As informações sobre a produção, o armazenamento e a eventual circulação dos arquivos permanecem sob sigilo, como forma de impedir uma nova exposição das crianças e de seus familiares.


