Polícia conclui investigação sobre latrocínio de Vivaldina de Jesus Bonfim e aponta participação de quatro suspeitos
Crime, ocorrido em Santa Rita de Cássia, envolveu violência extrema, saques bancários e a atuação articulada de familiares da vítima
A Polícia Civil da Bahia encerrou a investigação sobre a morte da professora aposentada Vivaldina de Jesus Bonfim, de 64 anos, assassinada de forma brutal em sua residência, em Santa Rita de Cássia, no oeste do estado. O caso, registrado em 7 de junho, foi enquadrado como latrocínio, e os quatro suspeitos já presos também foram indiciados por associação criminosa na quinta-feira (23).
A apuração revelou um enredo de violência que surpreendeu até os investigadores. Além de subtrair dinheiro e pertences do imóvel, os criminosos arrancaram quatro dedos da mão direita da vítima para tentar usar sua digital em caixas eletrônicos. Com os dedos guardados em um recipiente com gelo, o grupo conseguiu fazer três saques, que totalizaram R$ 18 mil.
Investigação e motivação
Segundo a polícia, as retiradas foram registradas pelas câmeras da agência bancária, material que teve peso decisivo na identificação dos envolvidos. O delegado Leonardo Mendes afirmou que o crime provocou forte repercussão na cidade, sobretudo porque Vivaldina era uma figura muito conhecida, aposentada, proprietária de uma fazenda de gado e lembrada pela ajuda constante a moradores em situação de vulnerabilidade.
De acordo com o delegado, a vítima costumava abrir as portas de casa para pessoas necessitadas e oferecer alimentação a quem a procurava. Para os investigadores, essa imagem de generosidade também ajuda a dimensionar a comoção causada pelo caso.
As apurações indicam que o plano para roubar a professora partiu da própria afilhada, Maria Eunice Leite de Souza. Conforme a polícia, ela acreditava que Vivaldina mantinha joias e dinheiro em um quarto trancado, cuja chave ficava sempre com a professora.
Como o crime ocorreu
Na véspera do assassinato, Vivaldina pediu à afilhada a indicação de um pedreiro para uma reforma na cozinha. Maria Eunice então apresentou o próprio genro, Cristiano Machado de Oliveira, que foi ao imóvel acompanhado de João de Souza Andrade, marido da afilhada.
Segundo o delegado, os dois homens iniciaram as agressões com o cabo de uma picareta assim que chegaram à residência. A professora caiu desorientada e passou a ser pressionada a indicar onde estava a chave do cômodo. Ainda conforme a investigação, ela resistiu, gritou por socorro e teve um pano colocado na boca.
Sem obter a informação, Cristiano teria usado a picareta para atingi-la no pescoço. A vítima morreu no local em razão dos ferimentos. A polícia acrescenta que, enquanto Vivaldina agonizava, os dois homens fizeram uma videochamada para mostrar a cena às respectivas esposas. Segundo o delegado, os casais chegaram a rir durante a ligação, fato considerado determinante para o pedido de prisão preventiva.
Saques e fuga
Depois da morte, as duas mulheres foram à casa e passaram a auxiliar os companheiros. Conforme a investigação, o corpo foi arrastado do quintal até o banheiro, enquanto cartões bancários e o celular da vítima eram recolhidos. Em seguida, os quatro arrancaram os dedos da professora para utilizá-los nas operações bancárias.
Na manhã seguinte ao crime, Cristiano Machado e sua esposa, Vitória Souza dos Santos, seguiram em transporte clandestino até Barreiras, cidade situada a cerca de 198 quilômetros de Santa Rita de Cássia. A polícia afirma que Cristiano fez dois saques de R$ 6 mil no mesmo dia. Depois de passarem a noite na cidade, onde fica a casa da mãe dele, realizaram um terceiro saque no mesmo valor. Uma quarta tentativa não teve êxito porque a digital já não era reconhecida pelo sistema.
Para os investigadores, a ida ao banco foi decisiva para a elucidação do caso. Assim que o setor de inteligência identificou as movimentações, o Banco do Brasil repassou as imagens das câmeras, o que permitiu localizar Cristiano.
Prisões e desdobramentos
Após retornarem para Santa Rita de Cássia, o grupo conseguiu desbloquear o celular da vítima, mas desistiu de vendê-lo depois que um possível comprador desconfiou da origem do aparelho. O telefone foi abandonado às margens de uma rodovia e acabou encontrado por um caminhoneiro, fato que também contribuiu para o avanço das investigações.
Cristiano foi preso em 20 de junho. Inicialmente, negou participação e tentou atribuir o crime a um sobrinho da vítima. Mais tarde, durante uma acareação, sequer conseguiu identificar a pessoa que havia acusado. Depois da prisão dos demais suspeitos, Vitória passou a colaborar com a apuração e confessou a participação do grupo, detalhando a dinâmica do crime.
Segundo o delegado Leonardo Mendes, trata-se de um dos episódios mais cruéis que ele presenciou ao longo de 16 anos de carreira. Os quatro investigados ainda não constituíram advogados e devem ser assistidos pela Defensoria Pública da Bahia no curso do processo. Até agora, suas versões formais não foram apresentadas à Justiça.

