Mensagens, contratos milionários, reuniões, viagens, pagamentos e doações revelam conexões com integrantes do STF, Planalto, Congresso e diferentes grupos políticos.
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e documentos reunidos pela Polícia Federal revelam uma extensa rede de relações mantidas pelo ex-controlador do Banco Master.
São conexões de naturezas distintas — algumas documentadas por contratos, reuniões e pagamentos; outras ainda sob apuração; e outras indiretas, como doações eleitorais.
A presença de um nome neste mapa não significa participação em irregularidades ou prática de crimes.

Investigações e disputa jurídica
Relatório da Polícia Federal de 218 páginas reuniu mensagens, registros de chamadas, arquivos e contratos encontrados no telefone de Vorcaro.
O próprio documento informa que a análise não teve caráter exaustivo.
Após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do material, a Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório, argumentando que diligências direcionadas a autoridades foram determinadas sem provocação da PGR ou da Polícia Federal.
O caso permanece em discussão no Supremo Tribunal Federal.
STF: mensagens e contratos sob análise
A Polícia Federal aponta que o contato entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes se intensificou a partir do fim de 2023.
Mensagens mostram Vorcaro buscando ajuda para evitar ou retardar medidas contra o banco.
Em uma delas, perguntou:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Em outros registros, cita o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A investigação ressalva que parte das conversas utilizava mensagens de visualização única e que as respostas não foram integralmente recuperadas.
Não há comprovação de que os pedidos tenham sido atendidos.
Documentos também apontam contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados, de Viviane Barci de Moraes.
Metadados analisados pela PF atribuem edições da minuta a um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
A PF encontrou ainda documentos referentes a uma segunda negociação de R$ 50 milhões.
O escritório afirma que essa segunda proposta não foi aceita e que nenhum novo contrato foi celebrado.
Planalto: reunião confirmada
Em 4 de dezembro de 2024, Daniel Vorcaro foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.
Também participaram Guido Mantega, Gabriel Galípolo, Rui Costa e Alexandre Silveira.
Segundo Lula, Vorcaro apresentou reclamações relacionadas ao mercado bancário, e o presidente afirmou que o assunto deveria ser tratado tecnicamente pelo Banco Central.
Até agora, não há evidência de que a reunião tenha resultado em determinação para favorecer o Banco Master.
BRB e Governo do Distrito Federal
Vorcaro afirmou à Polícia Federal que manteve conversas institucionais com o governador Ibaneis Rocha sobre a operação envolvendo Banco Master e BRB.
Ibaneis confirma que encontrou o banqueiro algumas vezes, mas nega ter discutido a compra do Master.
Segundo o governador, as negociações eram conduzidas pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Congresso: pagamentos e benefícios sob apuração
A Polícia Federal aponta pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira que somariam ao menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, além de viagens, jantares e outras despesas.
Ciro Nogueira nega ter recebido pagamentos ilícitos.
Mensagens da PF indicam que Vorcaro bancou hospedagens em Lisboa para o presidente da Câmara, Hugo Motta, e para Ciro Nogueira durante evento em junho de 2024.
Motta também confirmou ter viajado em avião de Vorcaro.
O presidente da Câmara afirma que não houve pedido de contrapartida.
O senador Jaques Wagner é investigado por possível benefício relacionado a apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões em Salvador.
Wagner nega ter recebido o imóvel e afirma que ele jamais integrou seu patrimônio.
Partidos e dirigentes
Relatório do Coaf aponta repasses de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag para empresa ligada a ACM Neto.
O ex-prefeito de Salvador afirma que houve prestação regular de serviços e nega irregularidades.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, aparece em mensagens envolvendo oferta de transporte de helicóptero.
Ele e uma irmã também prestaram serviços advocatícios ao Banco Master.
A existência desses vínculos profissionais e do transporte, isoladamente, não demonstra irregularidade.
Eleições e doações políticas
Flávio Bolsonaro confirmou ter procurado Daniel Vorcaro para captar recursos para o projeto “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Documentos apontaram inicialmente pelo menos US$ 10,6 milhões em transferências relacionadas ao financiamento.
Nova reportagem, baseada em relatório do Coaf, indicou repasse adicional de US$ 1,6 milhão.
O total atribuído a Vorcaro enviado ao fundo ligado ao projeto teria alcançado US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 63,7 milhões, segundo o cálculo da nova apuração.
Flávio Bolsonaro nega ter recebido dinheiro ou oferecido contrapartidas.
A produtora Go Up Entertainment afirma não ter recebido recursos diretamente de Vorcaro.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou oficialmente:
R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro em 2022
R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas em 2022
As doações foram declaradas à Justiça Eleitoral e, por si só, não indicam irregularidade dos candidatos beneficiados.
Textos individuais dos personagens
Daniel Vorcaro
Ex-controlador do Banco Master
Personagem central das investigações sobre o banco. Mensagens, contratos, viagens, reuniões e operações financeiras revelam relações com autoridades e agentes políticos de diferentes campos.
Alexandre de Moraes
Ministro do STF
Mensagens analisadas pela PF mostram pedidos de atuação feitos por Vorcaro. Não há comprovação de que tenham sido atendidos.
Viviane Barci de Moraes
Advogada
Contrato de aproximadamente R$ 131 milhões com o Banco Master.
A PF localizou documentos relacionados a outra negociação de R$ 50 milhões.
O escritório afirma que essa segunda proposta não foi efetivada.
Dias Toffoli
Ministro do STF
Fundos ligados à estrutura investigada participaram de negócio envolvendo o resort Tayayá.
Documentos também indicam uso, pelo ministro, de aeronave de empresa que tinha Vorcaro como sócio.
Toffoli nega ter recebido valores de Vorcaro.
André Mendonça
Ministro do STF
Relator do caso Master.
Determinou diligências e retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal.
A PGR posteriormente pediu a nulidade do documento.
Paulo Gonet
Procurador-geral da República
Citado por Vorcaro em mensagens relacionadas a pedidos de atuação.
Não há comprovação de que tenha atendido às solicitações.
A PGR pediu a nulidade do relatório da PF.
Andrei Rodrigues
Diretor-geral da Polícia Federal
Citado por Vorcaro em mensagens relacionadas a pedidos de atuação.
Não há comprovação de atendimento aos pedidos.
Lula
Presidente da República
Recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024.
Segundo o presidente, o assunto deveria ser tratado tecnicamente pelo Banco Central.
Guido Mantega
Ex-ministro da Fazenda
Atuou como consultor do Master e intermediou a reunião de Vorcaro com Lula.
Rui Costa
Ministro da Casa Civil
Participou da reunião entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto.
Ibaneis Rocha
Governador do Distrito Federal
Vorcaro afirma ter tratado da operação Master-BRB com o governador.
Ibaneis reconhece encontros, mas nega ter discutido a compra do banco.
BRB
Banco de Brasília
Participou da tentativa de aquisição de 58% do Banco Master.
Operações envolvendo carteiras de crédito são investigadas pela Polícia Federal.
Ciro Nogueira
Senador (PP-PI)
PF aponta pagamentos mensais que somariam ao menos R$ 6 milhões, além de despesas com viagens e eventos.
Ciro nega ter recebido pagamentos ilícitos.
Hugo Motta
Presidente da Câmara
Registros apontam hospedagem em Lisboa e viagem em avião de Vorcaro.
Motta afirma que não houve pedido de contrapartida.
Jaques Wagner
Senador (PT-BA)
Investigado por possível benefício relacionado a apartamento em Salvador.
Wagner nega ter recebido vantagem e afirma que o imóvel nunca integrou seu patrimônio.
ACM Neto
Dirigente político
Empresa ligada a ele recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag.
ACM Neto afirma que houve prestação regular de serviços e nega irregularidades.
Antônio Rueda
Presidente do União Brasil
Prestou serviços advocatícios ao Master e aparece em mensagens relacionadas a oferta de transporte aéreo.
A existência dessas relações, isoladamente, não demonstra irregularidade.
Flávio Bolsonaro
Senador (PL-RJ)
Confirmou que procurou Vorcaro para captar recursos para Dark Horse.
Relatórios apontam transferências relacionadas ao fundo ligado ao projeto.
Flávio nega ter recebido dinheiro ou oferecido contrapartidas.
Jair Bolsonaro
Ex-presidente da República
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou R$ 3 milhões à campanha presidencial de 2022.
Doação oficial e declarada à Justiça Eleitoral.
Tarcísio de Freitas
Governador de São Paulo
Fabiano Zettel doou R$ 2 milhões à sua campanha ao governo paulista em 2022.
Doação oficial e declarada à Justiça Eleitoral.
Legenda do mapa
Relação documentada — DOC
Há registros objetivos, como contratos, mensagens, reuniões, pagamentos, agendas ou viagens.
Fato sob apuração — INV
Existem suspeitas, indícios ou diligências ainda em andamento na Polícia Federal ou em outros órgãos.
Relação indireta/contextual — IND
Conexão derivada de terceiros, doações eleitorais, vínculos empresariais, parentesco ou outras relações contextuais.
Tipos de relação
Encontros e reuniões
Reuniões presenciais, agendas, eventos ou contatos frequentes.
Mensagens e pedidos
Conversas por aplicativos e solicitações de ajuda, informação ou atuação.
Contratos e negócios
Prestação de serviços, contratos, consultorias, pagamentos e operações empresariais.
Viagens e benefícios
Passagens, hospedagens, aeronaves, eventos e outras despesas.
Doações e repasses políticos
Doações eleitorais oficialmente declaradas e recursos relacionados a campanhas ou projetos.
Aviso editorial
Este infográfico apresenta fatos documentados, versões dos envolvidos e informações ainda sob investigação. A presença de um nome no mapa não significa participação em irregularidades. As situações possuem naturezas e graus de evidência distintos.
Fontes : Relatório da Polícia Federal, documentos judiciais, Coaf, registros públicos e reportagens de Folha de S.Paulo, Poder360, CNN Brasil, UOL, Agência Brasil e outros veículos. Atualizado em 1º de setembro de 2026.

