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Operação Replay mira comando e finanças de facção com patrimônio de R$ 17 milhões

Missias
30 de julho de 2026 às 09:20
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Operação Replay mira comando e finanças de facção com patrimônio de R$ 17 milhões

© PJC-MT

Ação da Polícia Civil alcança investigados em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro e prevê bloqueio de até R$ 15,3 milhões em ativos financeiros

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Replay para desarticular o núcleo financeiro de uma organização criminosa com atuação interestadual. A ofensiva cumpriu dez mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão e medidas destinadas à restrição de bens e à quebra de sigilos.

Ao todo, 14 pessoas são investigadas por suposto envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro. As diligências, coordenadas pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), foram realizadas em Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso; Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina; e no Rio de Janeiro.

Investigação aponta continuidade do esquema

A operação representa uma nova etapa de uma apuração que anteriormente resultou nas ações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. O avanço das investigações ocorreu após a análise de dados telemáticos, que subsidiaram relatórios técnicos sobre a permanência das atividades ilícitas mesmo depois das ofensivas policiais anteriores.

De acordo com a apuração, o grupo mantinha uma estrutura organizada, com funções delimitadas, operadores externos e um núcleo próprio responsável pela administração dos recursos. Os investigadores também identificaram o uso de contas bancárias pertencentes a terceiros e a aquisição de imóveis e veículos em nome de pessoas cuja renda declarada seria incompatível com os bens registrados.

A Justiça autorizou prisões, buscas pessoais, domiciliares e em veículos, acesso a dispositivos eletrônicos e compartilhamento de provas. Também foram determinadas a indisponibilidade e o sequestro de imóveis e automóveis, além do bloqueio de ativos financeiros vinculados aos investigados.

As medidas têm como objetivo impedir a continuidade das atividades criminosas, preservar elementos de prova e evitar que o patrimônio seja ocultado, transferido ou vendido durante o andamento do processo.

Patrimônio milionário entra na mira da Justiça

Os bens submetidos às restrições judiciais foram avaliados em aproximadamente R$ 17,28 milhões. O levantamento inclui imóveis de alto padrão localizados em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.

Paralelamente, os investigadores solicitaram o bloqueio de até R$ 15,32 milhões em recursos financeiros. O valor foi calculado com base em registros contábeis encontrados durante a apuração.

Os dois montantes representam modalidades diferentes de constrição patrimonial e, por isso, não devem ser somados como se correspondessem a valores efetivamente recuperados pelo poder público.

Somente os imóveis foram avaliados em cerca de R$ 16,68 milhões. Entre eles estão um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões; outro imóvel de alto padrão em Balneário Camboriú, avaliado em R$ 6 milhões; e uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, também estimada em R$ 6 milhões.

A relação inclui ainda uma residência de alto padrão em Cuiabá, avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão, além de três terrenos cujo valor conjunto alcança cerca de R$ 180 mil.

Os veículos atingidos pelas decisões judiciais somam aproximadamente R$ 607,6 mil. São automóveis e uma motocicleta registrados em nome de investigados ou de pessoas apontadas como ligadas ao núcleo financeiro da organização.

A estratégia de descapitalização pretende impedir que bens supostamente adquiridos com recursos ilícitos sejam utilizados para financiar a manutenção ou a reorganização do grupo.

Comando teria continuado de dentro da prisão

Um dos principais eixos da investigação envolve uma liderança que, mesmo custodiada em uma unidade de segurança máxima do sistema penitenciário estadual, teria permanecido à frente das decisões financeiras e disciplinares da facção.

As comunicações analisadas pelos investigadores indicam que o preso cobrava prestações de contas, determinava recolhimentos de valores, corrigia planilhas e orientava integrantes que atuavam fora do sistema prisional.

Em uma das planilhas apreendidas, constavam referências a R$ 14,09 milhões como valor total congelado e a R$ 1,23 milhão relacionado ao período analisado. A soma, de R$ 15,32 milhões, foi utilizada como parâmetro para o pedido de bloqueio financeiro.

Os documentos também apresentavam registros sobre movimentações de grandes quantidades de entorpecentes, distribuição de recursos entre diferentes núcleos e controle das contas internas da organização.

Troca de aparelhos buscava evitar fiscalização

A apuração identificou que um mesmo chip telefônico atribuído à liderança foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026.

Para a Polícia Civil, a substituição frequente dos equipamentos demonstra uma estratégia de adaptação destinada a contornar apreensões e mecanismos de controle penitenciário. O procedimento teria permitido a manutenção das comunicações clandestinas e das ordens transmitidas de dentro do cárcere.

Nome remete à repetição das atividades

A denominação Replay faz referência à reincidência das condutas e à capacidade de reorganização do grupo após as operações realizadas anteriormente.

Com a nova fase, a Polícia Civil pretende romper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos, interromper o comando exercido a partir do sistema prisional e retirar de circulação os recursos financeiros e patrimoniais que sustentavam a estrutura investigada.