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Mobilidade inversa: ” Quando o pedestre precisa disputar espaço com o risco” – NOTA ZERO!!

Missias Oliveira
11 de novembro de 2025 às 11:54
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Mobilidade inversa: ” Quando o pedestre precisa disputar espaço com o risco” – NOTA ZERO!!

Sequencia de fotos em trecho da Avenida Miguel Sutil próximo a rotatória de acesso ao HMC.

Após visitar a China e a Arábia Saudita, Abilio Brunini defende adoção do sistema DRT em substituição ao BRT, mas segue sem apresentar soluções para calçadas deterioradas e riscos enfrentados por pedestres na capital mato-grossense.

Andar a pé virou desafio nas cidades brasileiras

Em muitas cidades do país, andar a pé é quase um ato de resistência. Em lugares onde as políticas públicas de mobilidade priorizam o fluxo de carros, ônibus e motocicletas, o pedestre acaba relegado ao papel de figurante — mesmo sendo o personagem mais vulnerável no trânsito.

A chamada mobilidade inversa descreve exatamente essa inversão de prioridades: quando quem anda a pé precisa se adaptar a um ambiente que deveria ser feito para protegê-lo, mas que na prática o empurra para o perigo.

Cuiabá, um retrato da mobilidade invertida

A capital mato-grossense é exemplo claro desse cenário. Apesar de avanços pontuais em obras viárias e corredores de ônibus, a cidade ainda falha no básico: as calçadas. São raros os trechos contínuos e seguros para caminhar. Em boa parte dos bairros, o pedestre se depara com pavimentos quebrados, buracos, desníveis e obstáculos de toda espécie — de postes mal posicionados a árvores plantadas no meio da passagem.

Além disso, é comum ver entulhos espalhados, caçambas ocupando o espaço dos pedestres e Big Bags cheios de areia ou brita bloqueando o trajeto. A consequência é previsível: as pessoas acabam caminhando pelo asfalto, disputando espaço com carros e motos. Em vez de um direito, o simples ato de andar vira uma exposição constante ao risco.

Falta planejamento e fiscalização

Quem depende da caminhada diária — seja por necessidade ou escolha — enfrenta um sistema urbano que o ignora. A ausência de políticas de mobilidade ativa e de fiscalização sobre o uso das calçadas reforça o ciclo de exclusão: sem estrutura adequada, as pessoas deixam de andar a pé; e, sem pedestres nas ruas, o poder público segue investindo apenas no transporte motorizado.

Garantir acessibilidade e segurança para quem caminha não é luxo, é cidadania. Calçadas planas, bem sinalizadas e livres de obstáculos são tão essenciais quanto avenidas asfaltadas.

Viagem internacional e cobrança local

Enquanto isso, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, tem se mostrado encantado com soluções tecnológicas de transporte coletivo. Em viagens recentes aos Emirados Árabes e à China, o gestor afirmou ter ficado “extasiado” com o Digital Rail Transit (DRT) — um sistema de ônibus-bonde guiado digitalmente — e chegou a sugerir a substituição do projeto do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande pela inovação chinesa.

A expectativa, porém, é que o prefeito tenha trazido na bagagem mais do que uma miniatura do DRT. Espera-se que venha também um plano de mobilidade urbana real, que comece pelo básico: atender às necessidades dos pedestres. Porque não adianta importar tecnologia futurista se o cidadão cuiabano continua tropeçando em entulhos e se arriscando nas ruas por falta do mínimo — um caminho seguro para caminhar.

A ” letargia” da administração já nos cansou. E, Abilio não perca a chance de escrever seu nome na história de Cuiabá.

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