Agressor admitiu agressões, mas versão não justifica gravidade dos ferimentos
Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, foi preso preventivamente na última quinta-feira (20) em Porto Alegre (RS) sob suspeita de participação na morte de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos. Segundo investigações da Polícia Civil, o homem, companheiro da tia da criança, mantinha um vínculo próximo com a menina, que o tratava como figura paterna. Em depoimento, Staubus admitiu ter praticado agressões contra a criança, justificando-as como ‘palmadas para correção’ após a menina ter feito cocô nas calças.
As versões apresentadas pelo agressor não se alinham, contudo, com os laudos preliminares obtidos pela perícia. Os ferimentos encontrados no corpo de Samylle — que incluem hematomas disseminados e politraumatismo — sugerem um padrão de violência incompatível com a narrativa de um único episódio de castigo físico. A Polícia Civil considera a hipótese de que as agressões tenham sido reiteradas e de maior intensidade do que descrito pelo suspeito.
Óbito foi registrado em 17 de agosto, mas agressões podem ter começado antes
A criança foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre, na madrugada de segunda-feira (17), já sem vida. O atestado de óbito, emitido naquela data, registrou politraumatismo como causa mortis. Profissionais de saúde que atenderam o caso relataram a presença de múltiplos hematomas em diferentes estágios de cicatrização, indicando que as agressões podem não ter sido recentes.
A investigação está em andamento para apurar o histórico de convivência entre Staubus e a vítima, bem como eventuais omissões por parte de terceiros que tinham contato regular com a criança. Delegados responsáveis pelo caso destacam que a proximidade emocional entre agressor e vítima — marcada pelo tratamento dispensado por Samylle — pode ter agravado a dinâmica de poder dentro do núcleo familiar.
Polícia Civil investiga homicídio e possíveis negligências
A prisão preventiva de Staubus foi decretada com base em indícios de autoria e materialidade delitiva, conforme previsão do Código de Processo Penal. As autoridades não descartam a hipótese de que terceiros — incluindo familiares — tenham tido conhecimento das agressões ou contribuído para a omissão de socorro à criança. A apuração busca elucidar se houve dolo eventual ou culpa consciente na conduta do agressor.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) informou que o caso será remetido ao Ministério Público para análise de eventual denúncia por homicídio qualificado ou lesão corporal seguida de morte. Enquanto isso, a UPA Bom Jesus reforçou protocolos de atendimento a vítimas de violência doméstica, prevendo notificação compulsória de casos suspeitos às autoridades competentes.


