Redução artificial de sinapses não apaga lembranças em roedores
Um estudo publicado no periódico Science na última terça-feira, 13 de agosto de 2026, revelou que a eliminação de até 50% das conexões entre neurônios em camundongos não resultou na perda de memórias previamente armazenadas. A pesquisa, coordenada por Kazumasa Tanaka no Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa, utilizou um protocolo de hibernação artificial para reduzir drasticamente a atividade neuronal nos animais.
Hibernação e resiliência da memória: um paradoxo funcional
Os cientistas observaram que, durante a simulação de hibernação, os roedores mantiveram suas lembranças mesmo com a drástica diminuição na atividade sináptica. Esse fenômeno, já documentado em espécies naturalmente hibernantes como o esquilo, sugere que o cérebro possui mecanismos de redundância para preservar informações críticas, independentemente da atividade metabólica. A descoberta contrasta com a hipótese de que a memória depende da estabilidade estrutural das redes neuronais.
Implicações para a neurociência e futuras pesquisas
A pesquisa levanta questões sobre como o cérebro compensa a perda massiva de sinapses sem comprometer a integridade da informação armazenada. Tanaka e sua equipe sugerem que novas investigações poderiam explorar terapias para doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, onde a degradação sináptica é um marcador comum. Além disso, o estudo reforça a necessidade de revisitar modelos teóricos de armazenamento de memória, tradicionalmente baseados na plasticidade sináptica como fator indispensável.



