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Lula atribui novo tarifaço dos EUA à atuação de Flávio Bolsonaro e intensifica confronto político

Missias
2 de junho de 2026 às 20:08
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Lula atribui novo tarifaço dos EUA à atuação de Flávio Bolsonaro e intensifica confronto político
Divulgação / ClickNews

Presidente acusa senador de estimular interferência estrangeira em assuntos brasileiros; parlamentar nega participação nas medidas e anuncia reação judicial

Lula relaciona sanções comerciais à aproximação de Flávio com governo Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom das críticas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao associar a proposta de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros à atuação do parlamentar junto à administração de Donald Trump. Durante agenda oficial em Goiás nesta terça-feira (2), Lula classificou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como “traidor da pátria” e afirmou que ele teria buscado apoio externo para pressionar o governo brasileiro.

Segundo o presidente, a articulação de aliados de Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas representa uma tentativa de interferência em assuntos internos do país. Em seu discurso, Lula afirmou que integrantes da família Bolsonaro atuam contra os interesses nacionais ao defender medidas que podem afetar a economia brasileira.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, declarou.

Presidente acusa senador de prejudicar economia brasileira

Ao comentar a possibilidade de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, Lula afirmou que as medidas não atingiriam diretamente seu governo, mas sim setores produtivos do país.

“Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”, disse o presidente ao se referir a Flávio Bolsonaro.

Lula também recordou manifestações anteriores do senador relacionadas às medidas adotadas por Washington em 2025 e voltou a criticá-lo por supostamente apoiar ações que, segundo ele, prejudicam os interesses econômicos brasileiros.

Em outro momento do discurso, o presidente comparou a situação ao episódio histórico envolvendo Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar Tiradentes durante a Inconfidência Mineira.

“São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem”, afirmou.

Flávio rebate acusações e diz ter atuado contra novas tarifas

O senador Flávio Bolsonaro rejeitou as declarações do presidente e afirmou que, em contatos com integrantes do governo norte-americano, defendeu a não aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo o parlamentar, ele solicitou “expressamente” ao presidente Donald Trump que evitasse medidas que pudessem afetar empresas nacionais. Flávio sustenta que sua atuação teve como objetivo preservar interesses econômicos do Brasil e não estimular sanções comerciais.

Durante evento realizado na Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde recebeu o título de cidadão honorário, o senador elevou o tom das críticas ao presidente e sugeriu que as declarações poderiam ser interpretadas como um incentivo indireto a possíveis ataques contra sua integridade física.

“Eu espero que não seja verdade. Bastou eu atuar contra PCC e CV que ele faz uma espécie de apito de cachorro para as facções me executarem. Peço a Deus que não tenha sido essa intenção, porque se foi, ele deveria estar preso”, declarou.

A equipe política do senador informou ainda que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando Lula de ameaça e incitação ao crime.

Investigação comercial dos EUA amplia tensão diplomática

A escalada verbal entre governo e oposição ocorre em meio ao avanço da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

O processo examina práticas comerciais brasileiras consideradas potencialmente prejudiciais a empresas americanas e pode resultar na adoção de novas tarifas ou outras medidas restritivas.

Entre os temas analisados pelo governo dos Estados Unidos estão o sistema de pagamentos instantâneos Pix, comércio eletrônico, regulação de plataformas digitais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e barreiras comerciais.

O relatório preliminar do USTR deverá passar por consulta pública junto ao setor privado antes da divulgação da versão final, prevista para até 15 de julho. A decisão sobre a adoção ou não de sanções caberá ao presidente Donald Trump.

Pix volta ao centro das críticas dos EUA

Durante os compromissos em Goiás, Lula voltou a defender o Pix, apontado por autoridades americanas como um dos temas sob análise na investigação comercial.

O presidente afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos se tornou uma referência internacional e ironizou as críticas vindas dos Estados Unidos.

“Eu fiquei preocupado porque o Pix assusta eles. Eu falei para o Trump: ‘ao invés de ter medo do Pix, coloca o Pix para funcionar nos Estados Unidos. Faz um Pix para nós. É muito mais simples'”, afirmou.

Mais tarde, em evento realizado em Rio Verde, Lula voltou a associar a pressão americana à atuação de aliados de Bolsonaro e reforçou que o governo pretende defender o sistema financeiro brasileiro diante de eventuais tentativas de restrição externa.

Setores exportadores acompanham possível impacto econômico

Segundo estimativas do governo federal, cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderão ser afetadas caso novas tarifas sejam efetivamente implementadas.

Especialistas apontam que os segmentos mais expostos incluem máquinas e equipamentos, produtos manufaturados, itens do setor elétrico e madeira processada. Já produtos como aço, alumínio e autopeças continuam sujeitos a sobretaxas específicas aplicadas anteriormente pelo governo norte-americano.

A possibilidade de novas restrições comerciais ocorre em um momento de aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, ampliando a preocupação de empresários e exportadores com os desdobramentos da investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos.

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