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Justiça da Bahia decreta prisão preventiva de argentino acusado de injúria racial durante Copa do Mundo

João Oliveira
19 de julho de 2026 às 10:24
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Justiça da Bahia decreta prisão preventiva de argentino acusado de injúria racial durante Copa do Mundo

A Polícia Civil ainda não conseguiu identificar o torcedor responsável pelo gesto racista. Redes sociais.

Torcedor deixou o Brasil horas após o crime e é alvo de mandado de prisão por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia

Decisão aponta risco à aplicação da lei penal

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a prisão preventiva de Sebastian Fernando Ayala, torcedor argentino acusado de praticar injúria racial contra um jovem negro durante a transmissão da semifinal da Copa do Mundo de 2026. O episódio ocorreu na última quarta-feira (15), em um bar localizado em Morro de São Paulo, um dos principais destinos turísticos do litoral baiano.

Apesar da decisão judicial, o investigado já havia deixado o território brasileiro poucas horas após o ocorrido.

A medida foi assinada pelo juiz Marcelo Logrota, que considerou haver elementos suficientes para justificar a prisão preventiva diante da gravidade do caso e da fuga do acusado. Sebastian Fernando Ayala responde por injúria racial, crime cuja pena prevista no Brasil varia de dois a cinco anos de reclusão.

Na decisão, o magistrado destacou que a permanência do investigado em liberdade representa risco à efetividade da Justiça.

“O perigo gerado pelo estado de liberdade do representado reflete-se na necessidade de resguardo da ordem pública e na garantia de aplicação da lei penal, nos termos do artigo 312 do Código de Processo Penal.”

O juiz também ressaltou que a saída imediata do investigado reforça a necessidade da medida cautelar.

“Ademais, a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal mostra-se evidente e urgente diante da fuga imediata do representado do distrito da culpa.”

Investigado embarcou para a Argentina no dia seguinte ao crime

Conforme os autos do processo, imagens de câmeras de segurança e registros de passagens aéreas permitiram reconstruir o deslocamento do torcedor argentino após o episódio.

Segundo a investigação, Sebastian Fernando Ayala deixou Morro de São Paulo pouco depois da ocorrência e seguiu até o Aeroporto Internacional de Salvador. Na madrugada de quinta-feira (16), embarcou em um voo doméstico com destino ao Rio de Janeiro. Ainda no mesmo dia, tomou um voo internacional para Buenos Aires, retornando à Argentina.

Na avaliação do magistrado, a rápida saída do País evidencia uma tentativa de impedir o andamento da investigação e evitar eventual responsabilização criminal.

A decisão registra que a viagem “demonstra o nítido propósito de frustrar a persecução penal estatal e inviabilizar a aplicação da lei penal brasileira”.

Após a expedição do mandado, a Polícia Federal foi oficialmente comunicada para adoção das providências cabíveis. A ordem judicial também foi inserida no Banco Nacional de Mandados de Prisão.

Caso ocorreu durante comemoração da classificação argentina

O episódio aconteceu na noite de quarta-feira (15), enquanto torcedores acompanhavam, em um bar de Morro de São Paulo, a semifinal da Copa do Mundo entre Argentina e Inglaterra.

Imagens registradas no local mostram o momento em que torcedores argentinos comemoram um dos gols da seleção. Durante a celebração, Sebastian Fernando Ayala aparece fazendo gestos que imitam um macaco em direção a um jovem negro que estava à sua frente.

O caso foi denunciado pela vítima e passou a ser investigado pela Polícia Civil da Bahia como injúria racial.

Vítima denunciou o episódio nas redes sociais

Após a ocorrência, o jovem gravou um vídeo relatando o episódio e cobrando providências das autoridades diante da ofensa sofrida.

No registro, a vítima desabafa:

“Eu sofri racismo, e tô cheio de ódio”, relata.

As imagens do caso repercutiram nas redes sociais e reforçaram o debate sobre o combate ao racismo em eventos esportivos e a responsabilização de autores de crimes de discriminação praticados em território brasileiro, independentemente de sua nacionalidade.