A Associação apresentou dados que demonstram a falta de estoques adequados no país
O mercado de açúcar nos Estados Unidos enfrenta um cenário de escassez projetada após o Departamento de Agricultura (USDA) revisar para baixo seus estoques para o ano fiscal 2026/27, conforme dados do relatório World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE) divulgado em 19 de julho de 2026. A revisão cortou 145.870 toneladas curtas (STRV) dos estoques estimados, reduzindo a relação estoques/uso de 14,8% para 13,4% — abaixo da meta mínima de 13,5% estabelecida pelo governo federal.
Indústria pressiona por ação imediata do USDA
A Sweetener Users Association (SUA), que representa grandes indústrias alimentícias, exigiu em comunicado oficial a realocação emergencial da cota tarifária de importação (TRQ), fundamentando o pedido na One Big Beautiful Bill Act, que obriga pelo menos duas realocações anuais. A medida visa evitar desabastecimento, dado que a produção interna de beterraba — principal matéria-prima do setor — recuou para 4,821 milhões STRV, o menor patamar desde 2019/20, enquanto a cana-de-açúcar, impulsionada por safras em Louisiana (2,166 milhões STRV), não consegue compensar a queda.
Produção em queda e dependência de importações
Os números do USDA revelam uma produção total de açúcar projetada em 9,004 milhões STRV para 2026/27, com a beterraba respondendo por 53,5% do volume. No entanto, a redução na área plantada e condições climáticas adversas em regiões como o Meio-Oeste elevaram os riscos de escassez. A situação acende um alerta para a cadeia produtiva, uma vez que a dependência de importações — especialmente de países como o Brasil — torna-se crucial para evitar colapso no abastecimento doméstico.
Consequências para o mercado e próximos passos
Analistas do setor projetam que, sem intervenção governamental, os preços do açúcar poderão registrar alta superior a 15% nos próximos meses, impactando diretamente indústrias de alimentos e bebidas. O USDA tem até o final de julho para avaliar a realocação das TRQs, mas a pressão da SUA e de outros grupos setoriais indica que a decisão não deve atrasar. Enquanto isso, o monitoramento do plantio de milho nos EUA — que atingiu 86% da área prevista segundo o mesmo relatório WASDE — segue como fator secundário, mas relevante para o balanço de terras agrícolas no país.

