Outro dia me peguei pensando numa pergunta simples, mas nada fácil de responder.
Se eu tivesse que dar uma nota para meus relacionamentos, qual seria?
Ou, usando uma linguagem mais atual, eu diria que estou “curtindo” meus relacionamentos?
A convivência com as pessoas tem sido agradável? Gratificante? Tem me trazido paz ou desgaste?
Quando começamos a refletir sobre isso, surge outra pergunta.
O sucesso de um relacionamento depende de quem?
De mim?
Do outro?
Ou dos dois?
Se fosse possível escrever uma fórmula para a boa convivência, qual seria o peso de cada um nessa conta?
A experiência da vida me leva a acreditar que os dois são importantes. Mas existe uma parte da equação sobre a qual só eu tenho poder: a minha.
Não posso mudar o outro. Não posso pensar por ele, sentir por ele ou decidir por ele.
Mas posso trabalhar a mim mesmo.
E talvez esteja aí o segredo.
Há perguntas que parecem simples, mas que nos fazem pensar por muito tempo.
Uma delas é esta: como andam os meus relacionamentos?
Como está minha convivência dentro de casa?
Com meus familiares?
Com os amigos?
Com as pessoas com quem trabalho?
Com aqueles que compartilham comigo os mesmos ideais religiosos?
Quase sempre, quando surge um conflito, nossa atenção se volta para os defeitos dos outros.
O outro é impaciente.
O outro é difícil.
O outro não compreende.
O outro não colabora.
E assim vamos construindo uma lista de justificativas para nossos desencontros.
Mas a vida, que é uma excelente professora, vai mostrando aos poucos que raramente existe apenas um responsável pelos problemas de convivência.
Cada pessoa vê o mundo através das próprias experiências, das próprias dores e dos próprios aprendizados.
Por isso, conviver nem sempre é fácil.
Dentro de casa, por exemplo, convivemos com pessoas que amamos profundamente, mas que nem sempre pensam como nós.
No trabalho, encontramos temperamentos diferentes, opiniões diferentes e maneiras diferentes de agir.
E mesmo nos ambientes religiosos, onde buscamos paz e crescimento espiritual, continuamos encontrando seres humanos em processo de aprendizado.
Ali ninguém é perfeito.
Aliás, se fôssemos perfeitos, talvez nem precisássemos estar ali.
Frequentamos uma casa religiosa para melhorar a nós mesmos, não para corrigir os outros.
Os ensinamentos que ouvimos são dirigidos, antes de tudo, ao nosso coração.
Por isso gosto de pensar que o outro funciona como um espelho.
Nem sempre ele reflete aquilo que gostamos de ver.
Às vezes revela nossa impaciência.
Outras vezes mostra nosso orgulho, nossa intolerância ou nossas expectativas exageradas.
Quando alguém nos incomoda muito, talvez valha a pena perguntar:
O que essa situação está tentando me ensinar?
Nem sempre a resposta é agradável.
Mas quase sempre é útil.
Com o passar dos anos, compreendi que a convivência é uma das maiores escolas da vida.
É nela que exercitamos a paciência.
É nela que aprendemos a ouvir.
É nela que treinamos o perdão.
É nela que descobrimos o valor da compreensão e da humildade.
Ninguém evolui vivendo isolado.
Precisamos uns dos outros.
Precisamos das diferenças, dos desafios e até das dificuldades que os relacionamentos nos apresentam.
Talvez seja por isso que o título desta crônica seja tão simples: Eu e o Outro.
Porque, no fundo, a vida acontece exatamente nesse encontro.
E quanto mais aprendemos a melhorar o “eu”, mais harmoniosa se torna a convivência com o “outro”.
Essa não é uma tarefa para um dia apenas.
É um aprendizado para toda a vida.
Mas vale a pena.
Porque, ao melhorar nossos relacionamentos, estamos também melhorando a nós mesmos.

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