Mais da metade dos trabalhadores brasileiros (53%) não consegue fechar as contas no fim do mês com os rendimentos auferidos, segundo dados da Serasa Experian. O percentual, referente a agosto de 2026, mantém trajetória semelhante ao registrado em 2025, quando 54% dos entrevistados declararam a mesma condição financeira.
Estratégias de sobrevivência financeira: emergência ou rotina?
Entre os profissionais impactados, 47% buscam alternativas para equilibrar o orçamento — como horas extras, trabalhos paralelos ou venda de bens — enquanto 6% chegam ao término do mês sem dinheiro e sem recorrer a nenhuma solução complementar. A alimentação desponta como o principal item deficitário, citado por 78% dos que enfrentam dificuldades, seguida pelas despesas com água, luz e gás (72%).
Pressões inflacionárias e endividamento estrutural
A pesquisa, realizada entre 12 e 30 de junho com 1.008 profissionais — incluindo CLT e PJ —, identificou ainda que gastos fixos como financiamentos de imóveis ou veículos (44%) e itens de consumo básico (43%) agravam a situação. Empréstimos (33%) e educação (22%) completam a lista de despesas que comprometem mais de metade da renda mensal dos brasileiros.
Efeitos sistêmicos: produtividade e consumo em xeque
A incapacidade de honrar despesas essenciais reflete não apenas um cenário de endividamento pontual, mas um quadro de fragilidade estrutural na economia doméstica. Com a renda comprometida por itens básicos, a capacidade de poupança e investimento — mesmo em patamares mínimos — segue reduzida, sinalizando riscos para a demanda agregada e o crescimento do país no médio prazo.



