Valdemar Costa Neto minimiza atritos internos e defende aliança estratégica com foco na manutenção da força eleitoral conservadora
Articulação partidária e conviccção no potencial eleitoral da ex-primeira-dama
Os bastidores políticos da principal legenda de oposição ao governo federal ganharam novas definições estratégicas. O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, em entrevista concedida à CNN Brasil neste sábado (11), chancelou a sua expectativa de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro concorra a uma cadeira no Senado da República representando o Distrito Federal. O posicionamento do cacique partidario ocorre no rastro de políticas de apaziguamento interno, desenhadas após vir a público uma série de desentendimentos públicos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto.
De acordo com o relato do comandante da sigla, Michelle Bolsonaro chegou a manifestar pessoalmente o desejo de abdicar de pretensões eleitorais imediatas para o próximo pleito. O dirigente, contudo, atuou para dissuadi-la da resolução. “Eu falei: ‘Isso é um prejuízo muito grande para o partido’”, declarou Valdemar Costa Neto ao resgatar o diálogo institucional.
Na avaliação transmitida à ex-primeira-dama, o presidente do PL enfatizou as vantagens da obtenção de um mandato parlamentar de longa duração para a maturação de sua liderança. “A senhora se elege senadora, fica oito anos, vai aprender e terá uma boa base para seguir em frente na política, porque é nova”, disse.
Amparado em levantamentos internos de intenção de voto, o dirigente partidario demonstrou otimismo quanto ao desempenho da potencial candidata na capital federal. Valdemar acrescentou: “Então, acho que ela será candidata e chegará em primeiro lugar em Brasília. Não tenho dúvida”.
Unidade estratégica e mitigação de riscos jurídicos no bloco de oposição
A despeito dos tensionamentos recentes na família do ex-presidente, o líder da legenda sinalizou que as necessidades de sobrevivência política do grupo devem se sobrepor às vaidades particulares. Valdemar Costa Neto pontuou que projeta a convergência de agêndas, com Michelle Bolsonaro dividindo a plataforma política de campanha e subindo no mesmo palanque que Flávio Bolsonaro nas mobilizações de rua.
O argumento central para a manutenção da coesão interna baseia-se na gravidade do cenário judicial enfrentado pelo ex-mandatário Jair Bolsonaro. “Eu acredito. Sempre digo o seguinte: não podemos brigar entre nós porque, se perdermos a eleição, o Bolsonaro fica mais dez anos preso. Não podemos perder isso, não podemos perder o trabalho dela nem o de ninguém”, declarou o presidente nacional do PL.
Justificativa de composição pragmática na disputa majoritária do Ceará
O comandante do PL também aproveitou a oportunidade para contextualizar o estopim do desentendimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro, motivado pelas divergências em torno da chancela do PL à candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo Poder Executivo do estado do Ceará.
Para Valdemar Costa Neto, a aliança na Região Nordeste responde a uma lógica estritamente pragmática de enfrentamento ao governismo local, minimizando o perfil intempestivo do líder tucano. “O Ciro briga até com o irmão. Ele é desse jeito. Mas acontece que é o único cidadão que pode vencer o PT no estado do Ceará. E o nosso presidente lá, André Fernandes, perdeu a eleição em Fortaleza por 10 mil votos”, relatou o cacique partidário, evidenciando o peso da conjuntura regional. “Eles têm muita força lá.”




