Mensagem enviada pelo presidente da FIFA foi alvo de questionamentos após elogios à seleção argentina mesmo diante de investigação disciplinar
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, encaminhou uma carta ao presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio “Chiqui” Tapia, parabenizando a seleção da Argentina pela campanha na Copa do Mundo de 2026, encerrada com o vice-campeonato após derrota por 1 a 0 para a Espanha, na prorrogação. O conteúdo da mensagem, entretanto, gerou forte repercussão internacional e recebeu críticas da imprensa britânica, que considerou inadequado o tom adotado pelo dirigente.
O documento, assinado por Infantino e datado de 20 de julho, um dia após a decisão realizada no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey (Estados Unidos), foi divulgado posteriormente pelo jornal argentino La Nación.
Infantino destaca campanha da Argentina
Na correspondência enviada à AFA, o presidente da FIFA elogiou o desempenho da equipe comandada por Lionel Scaloni durante o Mundial.
“Caro senhor presidente. Ontem, domingo, 19 de julho de 2026, no magnífico Estádio de Nova York, em Nova Jersey, a Argentina conquistou a medalha de prata da Copa do Mundo da FIFA de 2026, após uma emocionante final contra a Espanha. Quero reiterar minhas mais sinceras felicitações por este novo resultado importante para o futebol argentino”, escreveu Infantino.
Na sequência, o dirigente ressaltou o sucesso da competição e a contribuição da seleção argentina para o espetáculo.
“A Copa do Mundo de 2026 ficará na memória como uma celebração inesquecível do futebol, marcada por partidas espetaculares, pelo surgimento de novos talentos, pela presença das grandes estrelas do esporte e pelo ambiente extraordinário vivido em estádios lotados de torcedores. A excelente atuação da seleção argentina também contribuiu de forma decisiva para fazer desta edição um evento excepcional, que encantou milhões de apaixonados por futebol em todo o mundo”, prosseguiu.
Infantino também fez questão de estender os cumprimentos aos integrantes da delegação argentina.
“Peço que transmita meus mais sinceros parabéns a todos que contribuíram para esse magnífico resultado: aos jogadores, ao técnico Lionel Scaloni, assim como à comissão técnica e médica e, naturalmente, aos inúmeros torcedores que acompanharam e apoiaram a equipe durante toda a competição”, completou.
Ao concluir a carta, o presidente da FIFA destacou os fatores que, segundo ele, levaram ao desempenho da equipe.
“Essas conquistas são sempre fruto do trabalho constante, do profissionalismo e da atenção aos detalhes, mas também da paixão, do compromisso e do amor por este maravilhoso esporte”, características que, segundo ele, apontam para “um futuro muito promissor” e “novos grandes sucessos para o futebol argentino”.
Imprensa inglesa questiona teor da mensagem
Embora a FIFA tenha enviado cartas semelhantes à Espanha, campeã mundial, e à Inglaterra, terceira colocada na competição, foi justamente a mensagem destinada à Argentina que gerou maior repercussão fora do país.
O jornal britânico Daily Mail criticou duramente o conteúdo da correspondência, especialmente pelo fato de a entidade máxima do futebol ter determinado a abertura de uma investigação sobre o comportamento da equipe argentina após a decisão do Mundial.
“O presidente da FIFA, Gianni Infantino, elogiou descaradamente o ‘profissionalismo’ da Argentina em uma carta insensível enviada à federação do país, apesar de ter ordenado a abertura de uma investigação sobre o comportamento da equipe após a derrota na final da Copa do Mundo para a Espanha”, escreveu o jornal.
Segundo a publicação, o envio de cartas de congratulações às seleções medalhistas faz parte do protocolo adotado pela FIFA ao término de cada Copa do Mundo. Ainda assim, o veículo avaliou que “a escolha das palavras é questionável”.
Críticas também envolveram comportamento em campo
Além do conteúdo da carta, o Daily Mail voltou a criticar a postura da seleção argentina durante o torneio.
De acordo com o jornal, a repercussão negativa não se restringe às “confusões após a partida envolvendo Nahuel Molina, Thiago Almada e o auxiliar técnico Roberto Ayala” na final diante da Espanha.
A publicação também menciona as “frequentes simulações e artifícios, em uma atuação provocadora” da equipe argentina durante a semifinal contra a Inglaterra, comportamento que teria alimentado as críticas ao longo da competição.

