Com crescimento de 1,1% no primeiro trimestre, país registra um dos melhores desempenhos econômicos entre as principais nações e tem projeção de ultrapassar o Canadá ainda este ano, segundo o FMI
O desempenho da economia brasileira no início de 2026 reforçou as perspectivas de recuperação do protagonismo do país no cenário internacional. Com expansão de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e março, o Brasil deverá retornar ao grupo das dez maiores economias do planeta ainda neste ano, conforme projeções atualizadas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a atividade econômica manteve trajetória positiva após o crescimento acumulado de 2,3% registrado em 2025. A expectativa é que o avanço permita ao país superar o Canadá no ranking global e reassumir a décima posição entre as maiores economias do mundo.
Brasil registra um dos melhores resultados entre as principais economias
Na comparação trimestral com o último período de 2025, o crescimento brasileiro colocou o país entre os destaques do cenário internacional. Levantamento elaborado pela Austin Rating mostra que o Brasil alcançou o sexto melhor desempenho entre 45 das maiores economias globais.
A lista é liderada por Hong Kong, Taiwan, Dinamarca, Coreia do Sul e China, únicos países que apresentaram resultados superiores ao brasileiro no período analisado.
Embora tenha permanecido na 11ª colocação mundial em 2024 e 2025, segundo as estimativas do FMI, o fortalecimento da atividade econômica e a valorização cambial contribuíram para melhorar a posição brasileira no ranking internacional.
Câmbio também influencia avanço no ranking global
As projeções do FMI utilizam o PIB nominal calculado em dólares, metodologia que considera não apenas o crescimento econômico interno, mas também o comportamento das moedas nacionais frente à divisa norte-americana.
Nesse contexto, a valorização do real observada desde o final do ano passado favoreceu o aumento do tamanho da economia brasileira quando convertida para dólares. O mesmo fenômeno ocorreu em outros países exportadores de commodities, como a Rússia, cuja moeda também apresentou fortalecimento.
Especialistas destacam que a combinação entre expansão da atividade econômica e melhora cambial tem sido determinante para recolocar o Brasil entre as maiores economias do planeta.
FMI eleva projeção para a economia brasileira
Em seu mais recente relatório de Perspectivas Econômicas Mundiais, o FMI revisou para cima a expectativa de crescimento do Brasil em 2026. A projeção passou de 1,6% para 1,9%, contrariando a tendência observada em boa parte da economia global.
Ao mesmo tempo, o organismo reduziu a estimativa de crescimento mundial para 3,1%, abaixo dos 3,3% previstos anteriormente.
Segundo o Fundo, a escalada dos preços internacionais do petróleo, impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, deverá beneficiar países exportadores da commodity. Nesse grupo, o Brasil passou a ocupar posição estratégica após consolidar-se como exportador líquido de petróleo graças à produção do pré-sal.
Brasil pode alcançar a nona posição em 2027
As projeções de médio prazo também apontam continuidade da ascensão brasileira no ranking econômico mundial.
Para 2027, o FMI estima crescimento de 2% para a economia nacional. Ainda que a previsão tenha sido levemente revisada para baixo em razão da desaceleração da demanda global, dos custos elevados de insumos e das condições financeiras mais restritivas, o desempenho deverá ser suficiente para que o Brasil ultrapasse a Rússia e alcance a nona posição entre as maiores economias do planeta.
A trajetória de avanço não deve parar por aí. Pelas estimativas do organismo internacional, o país poderá superar a Itália em 2028, assumindo a oitava colocação mundial, posição que tende a ser mantida até o início da próxima década.
Índia desponta como principal força econômica emergente
Entre as transformações projetadas para os próximos anos, a ascensão da Índia continua sendo o movimento mais significativo no cenário global.
De acordo com o FMI, o país asiático deverá ultrapassar a Alemanha até 2031 e tornar-se a terceira maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
PIB per capita mostra realidade diferente da riqueza nacional
Apesar da relevância do Brasil entre as maiores economias globais, especialistas ressaltam que o tamanho do PIB não reflete necessariamente o nível de riqueza da população.
Para essa análise, o indicador mais utilizado é o PIB per capita, que divide a produção econômica pelo número de habitantes.
Segundo os dados do FMI, o Brasil registrou em 2025 um PIB per capita de US$ 10.685,69. O resultado coloca o país abaixo da Albânia e ligeiramente acima de São Vicente e Granadinas no ranking internacional.
Na liderança mundial aparecem pequenos países europeus com alta renda e reduzida população. O Principado de Liechtenstein ocupa a primeira posição, seguido por Luxemburgo.
Os Estados Unidos, apesar de possuírem a maior economia do planeta em valores absolutos, aparecem apenas na oitava colocação quando o critério utilizado é a renda por habitante, demonstrando as diferenças existentes entre tamanho econômico e riqueza individual.

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