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Brasil registra queda de milionários em 2025, mas riqueza cresce 6%: o que mudou no perfil dos novos milionários?

Redacao
7 de junho de 2026 às 09:38
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Brasil registra queda de milionários em 2025, mas riqueza cresce 6%: o que mudou no perfil dos novos milionários?
Divulgação / ClickNews

Riqueza em alta, mas menos milionários: o paradoxo brasileiro

Dados do World Wealth Report 2026, publicado pela Capgemini em 7 de junho de 2026, revelam que a riqueza dos brasileiros de alta renda (HNWI — *High Net Worth Individuals*) cresceu 6% em 2025, totalizando US$ 1,5 trilhão. No entanto, o número de milionários no país caiu 0,2% no mesmo período, contrastando com o desempenho de outros mercados latino-americanos, como o México, que registrou expansão de 1,8% na população de milionários.

A queda de 0,2% pode parecer irrisória, mas reflete mudanças estruturais no comportamento dos investidores brasileiros. Enquanto a riqueza agregada aumenta, a concentração de patrimônio em indivíduos com mais de US$ 1 milhão (excluindo a residência principal) se reduz, indicando uma redistribuição de ativos ou, ainda, a ascensão de novos perfis de milionários.

O perfil dos novos milionários: tecnologia, diversificação e personalização

Os milionários brasileiros de 2025 apresentam três características distintas em relação às gerações anteriores:

  • Diversificação agressiva de investimentos: Além de ações e imóveis, os novos milionários incluem criptoativos, fundos de private equity e ativos internacionais em seus portfólios. Segundo o relatório, 32% dos HNWI brasileiros alocam mais de 20% de sua riqueza em investimentos alternativos, ante 18% em 2020.
  • Uso intensivo de tecnologia: Plataformas de *fintech* e *wealthtech* ganharam espaço entre os milionários, com 58% deles utilizando aplicativos de gestão patrimonial diariamente, contra 35% em 2022. A automação de investimentos e a inteligência artificial para análise de risco também se tornaram comuns.
  • Demanda por serviços personalizados: Consultorias financeiras com abordagem *tailor-made* e assessorias jurídicas especializadas em *family offices* passaram a ser prioridade. O relatório destaca que 45% dos milionários brasileiros contrataram serviços de *private banking* em 2025, um aumento de 15 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Brasil versus América Latina: por que a diferença?

Enquanto o Brasil registrou queda na população de milionários, outros países da região apresentaram crescimento. O México, por exemplo, viu sua base de HNWI expandir 1,8% em 2025, impulsionado pela entrada de novos investidores em setores como energia renovável e tecnologia. Já na Argentina, a inflação persistente e a dolarização de parte da economia fizeram com que o número de milionários em moeda local crescesse, embora o valor em dólar tenha caído.

No caso brasileiro, especialistas apontam dois fatores principais para a queda: a volatilidade do real em 2025 e a migração de parte da população de alta renda para regimes tributários mais atrativos, como os fundos offshore. Além disso, a crise no setor imobiliário de luxo em São Paulo e Rio de Janeiro pode ter impactado a contagem de milionários, já que muitos deles tinham parte de sua riqueza atrelada a imóveis.

Consequências para o mercado financeiro brasileiro

A redução no número de milionários não necessariamente indica um declínio da riqueza no país, mas sim uma transformação na sua distribuição. Para os *family offices* e bancos privados, isso representa um desafio: como reter clientes que agora buscam maior autonomia e menos burocracia? A resposta tem sido investir em *digital onboarding*, *blockchain* para transações e modelos de assessoria híbrida (humano + IA).

Já para os investidores, a queda de 0,2% reforça a necessidade de diversificar não apenas ativos, mas também estratégias. Afinal, como mostra o relatório, os milionários brasileiros que sobreviveram à crise de 2025 foram aqueles que souberam se adaptar às novas regras do jogo: menos concentração em um único ativo e mais flexibilidade para migrar entre diferentes classes de investimento.

Veja também: Como a dolarização do patrimônio tem atraído milionários brasileiros em 2025

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