Especialistas consideram baixo o risco de um tremor devastador, mas alertam que o território brasileiro não está livre de abalos sísmicos
Tremores reacendem preocupação
A sequência de terremotos registrados na América do Sul voltou a levantar dúvidas sobre a segurança geológica do Brasil. Em junho, dois fortes abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela e deixaram mais de 6 mil mortos, segundo o balanço divulgado à época.
Na segunda-feira (10), a Colômbia foi atingida por um terremoto de magnitude 7,4. O tremor provocou destruição em várias cidades e deixou mais de 200 mortos, além de centenas de feridos.
Diante desses episódios, especialistas afirmam que a possibilidade de um terremoto de grande poder destrutivo no Brasil é baixa, mas não pode ser completamente descartada. O país registra atividade sísmica, embora a maioria dos tremores seja de baixa intensidade, geralmente inferior a magnitude 4.
Maior terremoto brasileiro ocorreu em Mato Grosso
O maior terremoto já registrado no Brasil teve magnitude 6,2 e ocorreu em 31 de janeiro de 1955, na Serra do Tombador, em Mato Grosso. O abalo atingiu uma área pouco habitada e, por isso, não provocou danos significativos em construções ou um grande número de vítimas.
Apesar de ser considerado expressivo para os padrões brasileiros, o tremor ocorreu em uma região distante de grandes centros urbanos. O episódio é classificado como um terremoto intraplaca, provocado por movimentações e tensões no interior da própria Placa Sul-Americana.
A possibilidade de um abalo de magnitude semelhante em áreas mais povoadas poderia produzir consequências diferentes, especialmente em locais com construções vulneráveis ou infraestrutura sem preparação adequada.
Manaus sentiu reflexos do abalo colombiano
Os efeitos de terremotos ocorridos em países vizinhos também podem ser percebidos em território brasileiro. Na segunda-feira, moradores de Manaus relataram ter sentido os reflexos do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia.
A percepção de um tremor distante não significa, necessariamente, que o epicentro esteja próximo do Brasil. Abalos de grande magnitude podem transmitir ondas sísmicas por longas distâncias, fazendo com que cidades localizadas em outros países registrem vibrações.
Por que o Brasil tem menor risco?
O Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das zonas de contato entre grandes placas tectônicas. Essa posição reduz a ocorrência de terremotos associados ao choque direto entre placas e contribui para a relativa estabilidade geológica do território.
A situação é diferente em países como Colômbia e Venezuela, que ficam próximos à área de encontro das placas Sul-Americana e de Nazca. Nessas regiões, o movimento e o atrito entre as placas favorecem a ocorrência de terremotos mais frequentes e intensos.
Mesmo distante das bordas das placas, o Brasil possui falhas geológicas. Essas estruturas podem acumular energia ao longo do tempo e liberá-la na forma de tremores. Por esse motivo, o país não está completamente protegido contra a atividade sísmica.
Quais regiões são mais suscetíveis?
Um levantamento realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que algumas áreas brasileiras apresentam maior possibilidade de registrar atividades sísmicas.
Entre as regiões apontadas estão Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Ceará, o norte de Mato Grosso, o nordeste de Goiás, parte do Acre e a área da Bacia do Pantanal, em Mato Grosso do Sul.
O Nordeste aparece entre as áreas de maior ocorrência de tremores, especialmente os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. A atividade está relacionada à reativação de falhas geológicas antigas e às tensões geradas pelos movimentos não uniformes das placas Sul-Americana e de Nazca.
A existência dessas áreas de maior atividade, porém, não significa que um grande terremoto esteja prestes a ocorrer. A ciência ainda não consegue prever com precisão quando um tremor acontecerá nem determinar antecipadamente sua intensidade.
Brasil pode sofrer um terremoto como o da Colômbia?
Em termos geológicos, a possibilidade não é totalmente nula. No entanto, um terremoto com a mesma magnitude e o mesmo nível de destruição observado na Colômbia é considerado pouco provável no Brasil, devido à localização do país no interior da placa tectônica.
O risco mais relevante está relacionado a tremores intraplaca, que podem ocorrer em falhas geológicas antigas. Embora sejam menos frequentes, esses abalos podem causar danos quando atingem áreas densamente povoadas ou estruturas sem resistência adequada.
O histórico sísmico brasileiro mostra que terremotos fortes já ocorreram, como o registrado em Mato Grosso em 1955. A principal diferença em relação aos desastres recentes da Colômbia e da Venezuela é a distância do Brasil em relação às bordas das placas e às zonas de maior instabilidade tectônica.



