Complementação estadual elevou o financiamento das sessões realizadas pelo SUS; Dr. João participou das articulações em meio ao temor de interrupção do atendimento, principalmente no interior
O risco de interrupção dos serviços de hemodiálise em Mato Grosso levou o Governo do Estado a ampliar, em 2024, os recursos destinados às clínicas que atendiam pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Médico nefrologista e deputado estadual, Dr. João (MDB) participou das articulações em defesa do aumento do custeio em um momento no qual representantes do setor alertavam para dificuldades financeiras capazes de comprometer o funcionamento das unidades.
Em outubro daquele ano, o Estado anunciou uma complementação equivalente a 24% no valor das sessões. À época, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), 11 clínicas habilitadas pelo Ministério da Saúde atendiam aproximadamente 2 mil pacientes e realizavam cerca de 30 mil procedimentos por mês. A própria secretaria informou que a medida tinha como objetivo impedir a interrupção do serviço.
Para o nefrologista Vitor Vieira, a situação financeira enfrentada pelas unidades, sobretudo fora da região metropolitana, colocava em risco a continuidade da assistência.
“Se não fosse este suplemento, essa complementação que o deputado conseguiu, a maioria das clínicas teria fechado. O financiamento é tripartite, Ministério da Saúde, Estado e município, e se não fosse Dr. João, mais de 70% das clínicas estariam fechadas, as do interior com certeza”, afirmou Vitor.
Estado acrescentou cerca de R$ 59 por sessão
O reforço anunciado em outubro de 2024 acrescentou R$ 43,25 por sessão aos valores já destinados ao tratamento. Mato Grosso também mantinha outra complementação por meio do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal (FEEF), de aproximadamente R$ 15,78 por procedimento.
Com a soma dos dois incentivos, a participação adicional do Estado passou a girar em torno de R$ 59 por sessão. Segundo a SES, o objetivo era assegurar condições para que as clínicas continuassem prestando atendimento aos pacientes renais pelo SUS.
No anúncio oficial da medida, Dr. João participou ao lado de representantes do Executivo e classificou a ampliação do financiamento como uma resposta necessária diante das dificuldades vividas pelo setor. A SES registrou, naquele momento, a participação do parlamentar nas discussões relacionadas ao reajuste.
O deputado afirma que a possibilidade de paralisação dos serviços era uma das principais preocupações naquele período.
“Este foi um momento em que nós tivemos um misto de alegria e alívio. O risco de mato-grossenses ficarem sem tratamento era real e as clínicas estavam muito próximas do colapso. É um serviço essencial, em que o tratamento não pode ser parado, são vidas que estão em jogo e nós conseguimos evitar que milhares de pessoas padecessem”, relembra Dr. João.
A avaliação de que clínicas poderiam fechar foi sustentada também por representantes do setor. Ao anunciar o reforço, o próprio Governo de Mato Grosso afirmou que o valor então transferido pelo SUS era insuficiente e que a nova participação estadual buscava impedir a descontinuidade do tratamento.
“Por isso precisamos do Dr. João na Assembleia Legislativa brigando pelos pacientes e pela saúde”, acrescentou Vitor Vieira.
Distâncias tornam tratamento ainda mais difícil no interior
O financiamento das clínicas representa apenas uma das dificuldades enfrentadas por pacientes renais em Mato Grosso. A distribuição geográfica das unidades impõe uma rotina particularmente desgastante a quem vive distante dos centros que oferecem o serviço.
O Ministério da Saúde informa que a hemodiálise convencional é realizada em clínica especializada, normalmente três vezes por semana. O procedimento substitui parcialmente a função dos rins, retirando do sangue substâncias que o organismo já não consegue eliminar adequadamente.
Em um estado de dimensões territoriais extensas, essa necessidade de comparecimento frequente transforma a distância entre a residência e a clínica em parte do tratamento.
“Tem paciente que anda 300 quilômetros para fazer o tratamento três ou duas vezes por semana. Além da doença castigar, ainda tem essa logística”, relata Vitor Vieira.
O nefrologista cita a abertura de serviços em diferentes regiões como uma forma de reduzir essa dependência de grandes deslocamentos.
“Graças ao Dr. João estamos conseguindo interiorizar. Existem clínicas em Sorriso, Guarantã do Norte, Barra do Garças, Primavera do Leste, Rondonópolis, Tangará. Como João é um cara incansável, precisamos continuar contando com ele”, afirmou.
Articulações chegaram a Juína e Sorriso
A expansão territorial dos serviços de hemodiálise também esteve no centro de articulações envolvendo municípios, Governo do Estado e parlamentares.
Em setembro de 2021, Dr. João participou, ao lado de outros deputados, prefeitos e representantes da área da saúde, de uma reunião que resultou em um compromisso do Governo de Mato Grosso para custear a implantação de um centro de hemodiálise em Juína. A proposta buscava atender pacientes do Noroeste e do Vale do Arinos e reduzir a necessidade de viagens para outras regiões.
Anos depois, em novembro de 2024, o deputado voltou a participar de discussões sobre a ampliação da assistência renal no interior. Vereadores de Sorriso estiveram na Assembleia Legislativa em reunião com Dr. João para tratar do credenciamento federal do Centro de Hemodiálise do município.
Segundo a Câmara de Sorriso, a habilitação permitiria ampliar o financiamento da unidade e abrir espaço para atendimento de pacientes provenientes de cidades vizinhas, parte dos quais precisava se deslocar até Sinop.
Atendimento próximo de casa muda rotina de pacientes
Para quem depende da hemodiálise de forma permanente, a existência de uma unidade próxima representa a diferença entre enfrentar deslocamentos frequentes por rodovias e realizar o tratamento na própria região.
Vera Lucia, que relata fazer hemodiálise há nove anos em Tangará da Serra, afirma ter experimentado diretamente esse impacto.
“Quando cheguei na clínica, estava muito debilitada, de cadeira de rodas. Tinha que fazer cirurgia e a clínica me ajudou muito. Só tenho que falar bem do Dr. João, que trouxe esse serviço essencial para nós da região. É uma benfeitoria que todos nós temos, sem precisar viajar para Cuiabá três vezes por semana”, acrescentou.
A relação de Dr. João com a área renal antecede sua atuação parlamentar. Médico nefrologista, ele construiu parte da carreira profissional no atendimento a pacientes com doenças renais e posteriormente passou a incorporar o tema à sua atuação política.
Desafio permanece na distribuição regional do serviço
Apesar da ampliação da rede, o acesso territorial à terapia renal continua sendo um desafio em Mato Grosso. Documento técnico da própria SES já apontou as grandes distâncias entre os municípios como uma das barreiras para a organização da assistência especializada aos pacientes com doença renal crônica no Estado.
Durante a campanha eleitoral de 2026, Dr. João passou a defender a continuidade da expansão dos serviços de hemodiálise para outras regiões, com novas unidades e habilitações que diminuam a necessidade de viagens intermunicipais frequentes.
A discussão envolve tanto a disponibilidade de clínicas quanto a sustentabilidade financeira dos serviços. Para pacientes com insuficiência renal avançada, trata-se de um tratamento contínuo e recorrente. Para o poder público, significa manter uma rede capaz de funcionar regularmente e, ao mesmo tempo, aproximar a assistência das cidades onde vivem os pacientes.
Foi justamente essa combinação — financiamento e interiorização — que colocou a hemodiálise entre as pautas de saúde que ganharam espaço nas articulações políticas e institucionais dos últimos anos em Mato Grosso.




