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Alckmin afasta retaliação imediata ao ‘tarifaço’ dos EUA e mira negociações

João Oliveira
21 de julho de 2026 às 20:23
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Alckmin afasta retaliação imediata ao ‘tarifaço’ dos EUA e mira negociações

Foto: Cadu Gomes/VPR

Vice-presidente enfatizou que a prioridade do governo é estabelecer negociações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

 

A posição oficial do governo federal sobre a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor nesta quarta-feira (22/07), foi explicitada hoje pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Em reunião com representantes de setores afetados, ele reafirmou que a estratégia brasileira não contempla medidas retaliatórias unilaterais, classificando a Lei da Reciprocidade como um mecanismo de defesa contra práticas consideradas desleais no comércio internacional.

A Lei da Reciprocidade como ferramenta de equilíbrio, não de confronto

Alckmin esclareceu que a legislação, aprovada por unanimidade no Congresso, será acionada gradualmente, por meio de audiências públicas e etapas formais. “A ideia não é retaliação. Olho por olho pode deixar os dois cegos. A reciprocidade é um instrumento para corrigir injustiças”, afirmou, reforçando que o objetivo é restabelecer condições equitativas no intercâmbio comercial, não escalar tensões. A menção indireta à política de “olho por olho” sugere uma abordagem cautelosa, evitando ações precipitadas que possam agravar o cenário já tensionado.

Críticas à política de Trump e busca por diálogo

A decisão dos EUA, anunciada na semana anterior, é vista como uma resposta a políticas brasileiras que, segundo Washington, teriam afetado interesses comerciais norte-americanos. No entanto, o governo Lula mantém a postura de priorizar negociações, descartando retaliações automáticas. A estratégia reflete uma tentativa de isolar o tema da pauta tarifária do desgaste político-eleitoral iminente, preservando canais diplomáticos.

Impacto setorial e incertezas no horizonte

Setores como agricultura, manufatura e commodities, historicamente dependentes do mercado norte-americano, aguardam definições sobre possíveis compensações ou ajustes na política comercial. Enquanto a Lei da Reciprocidade oferece um arcabouço jurídico para contrapartidas, a ausência de um cronograma claro para sua aplicação deixa dúvidas sobre o timing das eventuais medidas brasileiras, caso a negociação não prospere.