Desafio a ser vencido II

 

Por Bolanger José de Almeida

Continuando nossa análise da comparação dos 12 municípios da baixada cuiabana (Cuiabá, Várzea Grande, Nova Brasilândia, Santo Antônio do Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Jangada, Rosário Oeste, Chapada dos Guimarães, Nobres, Acorizal, Barão de Melgaço e Poconé) e 12 municípios que chamamos de emergentes (Sinop, Sorriso, Tapurah, Ipiranga do Norte, Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Campo Novo dos Parecis, Sapezal, Rondonópolis, Primavera, Nova Mutum e Querência) de dados extraidos do IBGE, MDS, SETAS E OIT vimos que o PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO médio da baixada cuiabana é de r$ 20.379,20 (vinte mil trezentos e setenta e nove reais e vinte centavos) percapta, enquanto das emergentes é de r$ 58.892,85 (cinquenta e oito mil oitocentos e noventa e dois reais e oitenta e cinco centavos) percapta.

A diferença de produção de uma região para outra é de 188,99% a mais a favor das cidades emergentes. Então se tomarmos como base que a baixada cuiabana tem 231,38% a mais de bolsas família está latente que a situação é insustentável e é necessário que algo seja feito para equilibrar essa situação.

Temos que sair desse discurso de que o agro negócio está no interior e somente lá tem que se desenvolver. É necessária a criação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da região. Precisamos repartir o bolo, o governo do estado juntamente com o governo federal tem que alocar recursos públicos específicos para alavancar e melhorar o desempenho da baixada. É necessário dar velocidade às nossas ações com a atração de indústrias e de serviços possíveis de serem transformados não só em Cuiabá, mas em cada cidade de seu entorno.

Também analisando os dados publicados pelos órgãos oficiais acima mencionados verificamos que 39,68% dos moradores da baixada ganham até meio salário mínimo, se fizermos outra análise em que o IBGE recentemente publicou que 25% da população brasileira vivem abaixo da linha da pobreza, com renda de até r$ 220,00 chegaremos a um número absurdo de quase 250 mil habitantes da baixada nessa situação.

a situação da baixada cuiabana é tão dificíl que, segundo o IBGE, apenas “14,54% da população da baixada tem emprego formal, isso porque cuiabá tem 45,60% de empregos formais, se tirarmos a capital a situação fica ainda mais insustentável.

Em Rosário Oeste tem duas iniciativas em andamento (será?), o início previsto para 2020 do frigorífico de abate de suíno o que possivelmente gerará mais de 800 empregos diretos e há décadas se fala na construção de uma fábrica de cimento na região do distrito do Bauxi o que geraria centenas de vagas de trabalho sendo a redenção daquela cidade. Em Nova Brasilândia segundo dados do município foi descoberta uma grande jazida de fosfato (?), que segundo consta é uma das maiores do mundo e é um produto que importamos para dar sustentação à nossa agricultura. Em Nobres, Chapada dos Guimarães, Poconé, Barão de Melgaço, Cuiabá e Várzea Grande e Santo Antônio do Leverger temos grande possibilidade de ampliarmos e melhorarmos em muitas vezes nossa base turística, que é uma indústria limpa e que gera centenas de emprego, em várzea grande está se instalando o campus da universidade federal e do instituto federal de mato grosso, com vários cursos na área de ciência e tecnologia, lá também foi lançado o parque tecnológico do estado, mas é preciso dar velocidade para nossas ações.

O parque tecnológico de várzea grande é um ambiente voltado à criação, desenvolvimento, disponibilização de soluções tecnológicas e atração de empresas inovadoras ao mercado. A criação do campus da UFMT em várzea grande teve nossa participação de forma preponderante, juntando todos os envolvidos (UFMT, Governo do Estado, Ministério da Educação e o dono da área cedida). A parte física da UFMT e do IFMT está sendo construída em ritmo lento nos parece que está caminhando. A implantação da UNEMAT na região só está na intenção. As áreas para as instalações acima foram doadas por um empresário sendo, 90 hectares para a UFMT, 10 para o IFMT e 16 para o parque tecnológico. Quando tudo estará concluído?

O que fazer para iniciarmos e buscarmos novos modelos de desenvolvimento?

Temos que repensar o modelo econômico e de desenvolvimento da baixada cuiabana ou vale do Rio Cuiabá. Não podemos também desprezar os arranjos locais. É necessário criatividade de nossos governantes locais para qualificar nossa população e achar também outras formas de melhorar o trabalho e a renda de sua cidade.

Em nossos próximos artigos estaremos publicando outros indicadores que nos levam a uma análise mostrando ainda mais a distância que essas desigualdades provocam.  

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Bolanger José de Almeida é Professor Mestre Adjunto IV da UFMT, Auditor, Perito e Consultor